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A costura entra por dentro do canal da moldura, nunca por fora. Passe 80 centímetros de linha na agulha de tapeçaria nº 22 e junte as pontas, formando o fio duplo de 40 centímetros. Dê um nó pequeno e esconda ele dentro da parede do crochê, entre duas carreiras, antes da primeira passagem pelo metal.
Comece pelo furo central marcado e trabalhe em ponto atrás, saindo de dentro pra fora em cada furo e voltando meio ponto pra trás no crochê. Cada furo recebe duas passagens de fio duplo, quer dizer quatro fios por furo. Mantenha a tensão firme sem apertar: linha esticada demais enruga a beirada e ondula o pano entre os furos.
Nos três furos de cada ponta, os que ficam a menos de 1 centímetro do pino da dobradiça, faça três passagens no lugar de duas. São 12 furos reforçados na peça, 6 por aba, e eles pedem 40 centímetros a mais de linha. Esse trecho recebe o movimento de abertura, e é onde o fio arrebenta primeiro numa peça costurada por igual.
Na ponta da aba, volte costurando por cima da mesma carreira, pelo avesso dos pontos já trabalhados, e arremate depois de 8 pontos de volta. Repita na segunda aba com fio novo: linha emendada cria um nó dentro do canal, e o nó impede o fecho de encostar.
O erro de costurar por fora do canal: passar a agulha por fora parece mais rápido, porque o furo fica visível. A linha aparece em pontinhos na frente da peça, o metal raspa nela a cada abertura e a costura se desfia em três meses de uso.
O erro da cola no lugar da costura: encher o canal de cola quente e enfiar o crochê resolve a montagem em cinco minutos. A cola endurece, racha na primeira dobra perto da dobradiça e sai em lasca com dois ou três pontos do crochê arrancados. A peça descolada não se conserta: o canal fica com resíduo e a costura não pega mais.
O crochê é feito com uma agulha de gancho, e consiste numa série de laçadas puxadas uma pela outra. Thérèse de Dillmont, Encyclopedia of Needlework, 1886 |
Dillmont, que dirigia a escola de trabalhos manuais ligada à fábrica de linhas em Dornach, descreve o crochê como uma corrente de laçadas presas entre si, e a frase explica a necessidade do cordão e do fio duplo. Cada laçada segura a vizinha; a última carreira da aba não tem vizinha acima dela, e o cordão mais a costura dupla fazem esse papel.
O porta-moedas montado assim tem 52 pontos costurados, 12 deles com três passagens, beirada com cordão por dentro e nenhum ponto de cola. Ele lava à mão em água fria, seca apoiado de lado pra não amassar a moldura, e o metal se limpa com pano seco: água parada no canal oxida o latão.
Hoje: pegue a moldura que está na sua gaveta, conte os furos de uma aba e anote o número no caderno, uma contagem só, com a largura do fecho ao lado. Com esse número nas próximas 24 horas você já sabe quantos pontos a boca da sua peça precisa ter antes de puxar a primeira correntinha.
"Quantas peças suas voltaram pra conserto por causa da costura, e não do crochê?"
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