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A circunferência de um círculo é o raio multiplicado por 6,28. Somar uma unidade ao raio soma 6,28 unidades à circunferência, sempre, num círculo de cinco centímetros ou num de cinquenta.
No crochê a unidade de raio é a altura da carreira e a unidade de borda é a largura do ponto. Cada volta soma uma altura de carreira ao raio, e a beirada precisa de 6,28 larguras de ponto pra cobrir a distância.
O ponto alto é duas vezes mais alto que largo. Uma carreira dele empurra o raio o equivalente a dois pontos de largura, e a borda pede 6,28 vezes dois, doze e pouco. Doze é o inteiro da conta, e a fração some na elasticidade da malha.
A mesma conta explica os outros pontos. Ponto baixo é tão alto quanto largo, e pede seis. Ponto alto duplo é três vezes mais alto que largo, e pede dezoito. Meio ponto alto trabalha com nove.
O defeito de aumento a mais: a borda ondula. Treze ou catorze aumentos numa carreira colocam mais pontos do que a circunferência comporta, e o excesso de tecido sobe em ondas na beirada.
O defeito de aumento a menos: a peça vira tigela. Dez ou onze aumentos deixam a borda curta pro raio que a carreira criou, a malha entra em tensão e alivia levantando as laterais.
O diagnóstico pela contagem: conte os pontos de uma volta e divida por 12. Resultado igual ao número da carreira quer dizer conta certa, e a ondulação veio da tensão da mão. Sobra ou falta aponta o aumento errado.
O erro que faz o círculo virar polígono: empilhar os doze aumentos sempre na mesma coluna, carreira em cima de carreira. O total de pontos bate, e ainda assim o círculo nasce com doze quinas e doze lados retos.
A correção é desencontrar os aumentos. Comece a volta com metade do intervalo antes do primeiro, ou avance um ponto a cada carreira, e eles se espalham em espiral em vez de formar doze linhas retas.
O teste da mesa: apoie o círculo numa superfície plana a cada duas carreiras e olhe de lado, com o olho na altura do tampo. Círculo certo encosta inteiro. Borda que levanta pede desmanche de uma carreira.
O teste do prato: apoie o prato raso no centro da peça e gire. A moldura de crochê que sobra precisa ter a mesma largura na volta inteira. Faixa estreita de um lado denuncia aumento fora de lugar.
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Ele está escrito em língua matemática, e os caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas.
Galileu Galilei, O Ensaiador, 1623
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A frase de Galileu vale na bancada de crochê sem ajuste. O círculo do sousplat não obedece à mão nem ao fio, obedece à razão entre altura e largura, e a mão só precisa entregar doze aumentos por volta.
O sousplat assenta reto quando a carreira leva doze aumentos, os aumentos mudam de coluna a cada volta e a medida final sai da fita, não da contagem de carreiras.
"O seu sousplat ondula na borda ou levanta como tigela?"
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