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ED 003

O sousplat que assenta reto na mesa

Sousplat redondo de barbante nº 4, nível iniciante, com a regra dos 12 aumentos por carreira que mantém o círculo plano até a última volta.

Sousplat redondo de barbante deitado plano na mesa de madeira, ao lado do rolo de barbante nº 4, da agulha de 4,5 milímetros e da fita métrica enrolada.

Sousplat de barbante deitado plano na mesa

 

Um sousplat de crochê entrega o erro no instante em que encosta na mesa. Ou a borda sobe em ondas e o prato fica torto em cima dela, ou o centro empena pra cima e a peça vira uma tigela rasa que balança quando o copo apoia.

Quem executa em casa costuma culpar a mão pesada ou o barbante do fornecedor novo. A causa é aritmética, e cabe num número só: quantos pontos a mais entram em cada volta.

Um círculo de crochê cresce por fora. Cada carreira nova cobre uma circunferência maior que a anterior, e a diferença entre uma volta e a seguinte é sempre a mesma.

Pontos a mais do que a diferença pede sobram de tecido na beirada, e tecido que sobra ondula. Pontos a menos obrigam a borda a esticar sobre um perímetro curto, e a peça se curva pra cima.

O número que fecha a conta no ponto alto é doze. Doze aumentos por carreira, nem um a mais nem um a menos, da segunda volta até a última carreira do círculo.

Doze não é palpite de receita antiga nem herança de família. Ele sai da razão entre a altura e a largura do ponto alto, e muda quando o ponto muda: ponto baixo pede seis, ponto alto duplo pede dezoito.

O sousplat é a peça certa pra fixar a regra na mão. Ele é plano por definição, não tem cava nem prova no corpo, e o defeito aparece de imediato, com a agulha ainda presa no fio.

Ele também é a peça que mais sai da mesa de quem vende, entre ceia de fim de ano e casamento. Um jogo de seis sai numa tarde e o rolo de barbante custa pouco.

A execução de hoje usa um ponto só e uma conta só, sem técnica nova no meio do caminho. O que decide o resultado é contar antes de fechar cada volta.

A ficha abre pelo fio, pela agulha, pelo tempo de bancada e pela amostra que decide quantas carreiras o círculo vai pedir.

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I  A Peça do Dia

Círculo de 34 centímetros em barbante nº 4

A ficha completa da peça.

A peça de hoje: sousplat redondo em ponto alto, nível iniciante, com 34 centímetros de diâmetro e 10 carreiras. A execução usa anel mágico, correntinha e ponto alto, sem mais nada.

Antes da primeira carreira: um rolo de barbante nº 4 de 200 gramas, perto de 172 metros. Agulha de crochê de 4,5 milímetros. Agulha de tapeceiro, tesoura, fita métrica e um marcador de ponto.

O tempo estimado é de duas horas e meia, uma tarde. O nível é iniciante do começo ao fim: a carreira 3 fixa o desenho e as sete seguintes repetem ele com um ponto simples a mais.

O barbante nº 4 é o corpo da peça, o fio de espessura média da linha. Ele é firme o bastante pra peça deitar sozinha na mesa e macio o bastante pra agulha entrar sem cobrar do punho.

Barbante nº 6 é mais grosso, entrega um círculo maior nas mesmas dez carreiras e pede agulha de 5 milímetros. Barbante nº 8 vira peça dura, boa pra tapete e ruim pra mesa posta.

A agulha de 4,5 milímetros é a que casa com o nº 4, e ela fica onde está. Agulha menor fecha a malha e endurece o centro, agulha maior abre vãos entre os pontos e o círculo perde a firmeza que segura o prato.

A amostra de dez centímetros: monte 20 correntinhas, trabalhe 8 carreiras de ponto alto e meça o quadrado no meio da peça, apoiado na mesa, sem esticar. Doze pontos e seis carreiras em 10 centímetros é a malha deste sousplat.

Na peça redonda a amostra vira medida de raio. Cada carreira de ponto alto sobe perto de 1,7 centímetro na malha da casa, e são esses 1,7 que fazem o diâmetro crescer 3,3 centímetros por volta.

Amostra com sete carreiras em 10 centímetros quer dizer ponto mais baixo que o nosso, e as dez carreiras param perto de 29 centímetros. O caminho é somar carreiras, sempre com doze aumentos, até a fita bater.

A medida final: apoie o círculo na mesa e meça de borda a borda passando pelo centro, em duas direções cruzadas. As duas medidas precisam bater, e diferença acima de um centímetro denuncia aumento fora do lugar.

A peça fechada tem 34 centímetros de diâmetro, 120 pontos na última carreira de ponto alto e perto de 80 gramas de barbante. Um rolo rende dois sousplats, e o jogo de seis pede três rolos.

 
 

II  Carreira a Carreira

Do anel mágico aos 120 pontos

Cada carreira leva exatamente 12 aumentos. O que muda de uma volta pra outra é a distância entre eles, um ponto simples a mais antes de cada aumento, carreira depois de carreira.

Carreira 1: faça o anel mágico, 3 correntinhas que contam como o primeiro ponto alto e mais 11 pontos altos dentro do anel. Puxe a ponta do fio até o centro fechar e termine com ponto baixíssimo. São 12 pontos.

Carreira 2: 3 correntinhas e 1 ponto alto no mesmo ponto da base, depois 2 pontos altos em cada um dos 11 pontos seguintes. Feche com ponto baixíssimo. São 24 pontos, um aumento em cada ponto da volta anterior.

Carreira 3: 3 correntinhas e 2 pontos altos no ponto seguinte. Repita a sequência de 1 ponto alto simples e 2 pontos altos no próximo até fechar a volta. São 36 pontos.

Carreira 4 até a 10: repita o desenho da carreira 3 somando um ponto alto simples antes de cada aumento. A carreira 4 leva 2 simples e 1 aumento, a carreira 5 leva 3 simples, e a carreira 10 fecha com 8 simples.

O marcador de ponto: prenda o marcador no primeiro ponto de cada carreira. Sem ele o ponto baixíssimo some dentro da malha, a contagem escorrega, e uma volta com 11 aumentos já levanta a borda.

A tabela de pontos: carreira 1, 12 pontos e 4 centímetros de diâmetro. Carreira 2, 24 pontos e 7 centímetros. Carreira 3, 36 e 11. Carreira 4, 48 e 14. Carreira 5, 60 e 17. Carreira 6, 72 e 21. Carreira 7, 84 e 24. Carreira 8, 96 e 27. Carreira 9, 108 e 31. Carreira 10, 120 pontos e 34 centímetros.

A régua da tabela cabe numa linha: a carreira de número N tem 12 vezes N pontos. Conferir a cada duas voltas poupa cinco carreiras de desmanche.

Onde parar: a última carreira é a que bate a medida que você quer, nunca a que a receita manda. Sousplat de mesa comum fica entre 33 e 35 centímetros, e o prato raso de 26 deixa quatro dedos de moldura.

A borda: trabalhe uma carreira de ponto baixo com 6 aumentos, um a cada 20 pontos. O ponto baixo tem metade da altura do ponto alto, então ele pede metade dos aumentos, e 6 é o número que mantém a beirada deitada. São 126 pontos.

Corte o fio deixando 15 centímetros de sobra, passe na agulha de tapeceiro e esconda a ponta atravessando cinco pontos por dentro da malha. Repita com a ponta do anel mágico.

O bloqueio: umedeça a peça pronta, aperte a água entre duas toalhas sem torcer, estique o círculo numa superfície plana e prenda a borda com alfinetes a cada cinco centímetros. Deixe secar uma noite.

O bloqueio resolve ondulação leve, a que vem de tensão desigual entre uma carreira e outra. Ele não resolve aumento a mais nem a menos: defeito de conta volta assim que a peça seca.

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III  O Ponto da Semana

Por que doze e não dez

A circunferência de um círculo é o raio multiplicado por 6,28. Somar uma unidade ao raio soma 6,28 unidades à circunferência, sempre, num círculo de cinco centímetros ou num de cinquenta.

No crochê a unidade de raio é a altura da carreira e a unidade de borda é a largura do ponto. Cada volta soma uma altura de carreira ao raio, e a beirada precisa de 6,28 larguras de ponto pra cobrir a distância.

O ponto alto é duas vezes mais alto que largo. Uma carreira dele empurra o raio o equivalente a dois pontos de largura, e a borda pede 6,28 vezes dois, doze e pouco. Doze é o inteiro da conta, e a fração some na elasticidade da malha.

A mesma conta explica os outros pontos. Ponto baixo é tão alto quanto largo, e pede seis. Ponto alto duplo é três vezes mais alto que largo, e pede dezoito. Meio ponto alto trabalha com nove.

O defeito de aumento a mais: a borda ondula. Treze ou catorze aumentos numa carreira colocam mais pontos do que a circunferência comporta, e o excesso de tecido sobe em ondas na beirada.

O defeito de aumento a menos: a peça vira tigela. Dez ou onze aumentos deixam a borda curta pro raio que a carreira criou, a malha entra em tensão e alivia levantando as laterais.

O diagnóstico pela contagem: conte os pontos de uma volta e divida por 12. Resultado igual ao número da carreira quer dizer conta certa, e a ondulação veio da tensão da mão. Sobra ou falta aponta o aumento errado.

O erro que faz o círculo virar polígono: empilhar os doze aumentos sempre na mesma coluna, carreira em cima de carreira. O total de pontos bate, e ainda assim o círculo nasce com doze quinas e doze lados retos.

A correção é desencontrar os aumentos. Comece a volta com metade do intervalo antes do primeiro, ou avance um ponto a cada carreira, e eles se espalham em espiral em vez de formar doze linhas retas.

O teste da mesa: apoie o círculo numa superfície plana a cada duas carreiras e olhe de lado, com o olho na altura do tampo. Círculo certo encosta inteiro. Borda que levanta pede desmanche de uma carreira.

O teste do prato: apoie o prato raso no centro da peça e gire. A moldura de crochê que sobra precisa ter a mesma largura na volta inteira. Faixa estreita de um lado denuncia aumento fora de lugar.

Ele está escrito em língua matemática, e os caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas.

Galileu Galilei, O Ensaiador, 1623

A frase de Galileu vale na bancada de crochê sem ajuste. O círculo do sousplat não obedece à mão nem ao fio, obedece à razão entre altura e largura, e a mão só precisa entregar doze aumentos por volta.

O sousplat assenta reto quando a carreira leva doze aumentos, os aumentos mudam de coluna a cada volta e a medida final sai da fita, não da contagem de carreiras.

"O seu sousplat ondula na borda ou levanta como tigela?"

 
 
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Quiz da edição

Na carreira 6 deste sousplat de crochê, quantos pontos o círculo tem ao fechar a volta?

A60 pontos
B84 pontos
C72 pontos
D96 pontos

Resultado da última edição: 0% acertaram.

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