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O punho canelado que alarga depois de dez usos
Luva sem dedos de 18 centímetros em lã média com agulha de 4 milímetros, nível iniciante, com punho canelado na alça de trás.
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Luva sem dedos em lã média, agulha de 4 mm
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Uma luva sem dedos sai da agulha com 18 centímetros de altura e um punho que mede 17,6 centímetros de circunferência quando está relaxado sobre a mesa. Vestida, ela sobe até o meio do antebraço e para exatamente onde o projeto mandou parar.
No décimo uso, a mesma luva está no meio da mão. A fita métrica no punho relaxado explica o resto: 21 centímetros. Apareceram 3,4 centímetros de folga sem que nenhuma carreira tivesse mudado de lugar.
A lã não encolheu, não desfiou e não perdeu ponto nenhum. Quem faz costuma culpar o fio, troca de marca, aperta o ponto na luva seguinte e vê o punho ceder de novo por volta do décimo uso, na mesma medida.
O punho canelado não segura o pulso porque é apertado. Ele segura porque cada carreira entra só na alça de trás do ponto da carreira anterior, e a alça da frente que ficou livre forma um sulco horizontal ao longo de toda a faixa.
Esse sulco é o que trabalha. Ele abre quando a mão passa, fecha quando o pulso assenta e volta ao lugar quando a luva sai. Uma canelada de 28 carreiras tem 28 sulcos, e cada um deles devolve o punho ao tamanho de origem.
Quando o ponto entra nas duas alças, o sulco não existe. A faixa continua parecendo canelada de longe, com as mesmas 28 carreiras e a mesma medida saindo da agulha, e o que ela deixou de ter é a única parte que voltava.
A conta explica por que o defeito demora dez usos pra aparecer. Uma faixa lisa cede perto de 0,34 centímetro por vestida, distribuído nas 28 carreiras. Nas três primeiras vezes ninguém percebe. Na décima, a soma dá os 3,4 centímetros que fazem a luva escorregar.
O ponto baixo em lã média com agulha de 4 milímetros ocupa perto de 0,71 centímetro de largura. Trocar a alça não muda esse número em nenhuma carreira, e é justamente por isso que a fita métrica aprova a luva no dia em que ela fica pronta.
A correção não custa fio, tempo nem ponto a mais. Ela cabe numa decisão tomada antes da carreira 2 do punho: onde a agulha entra. É a diferença entre uma luva que dura uma estação e uma que dura três.
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I A Peça do Dia
Luva sem dedos de 18 centímetros em lã média
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A ficha completa da peça.
A peça de hoje: par de luvas sem dedos de 18 centímetros de altura em lã média com agulha de 4 milímetros, nível iniciante, com punho canelado trabalhado na alça de trás. A execução usa correntinha, ponto baixo, ponto baixíssimo e ponto baixo na alça de trás. O tempo estimado é de 5 horas pelo par.
Antes da primeira laçada: 1 novelo de lã média de 100 gramas, perto de 180 metros. Agulha de crochê de 4 milímetros. Dois marcadores de ponto, tesoura, agulha de tapeceiro e fita métrica.
A lã média é o corpo desta peça porque ela tem perto de 4,5 milímetros de espessura e memória elástica de sobra. Fio que estica e volta é o que faz a canelada funcionar como mola no pulso, e nenhuma outra parte da luva depende disso.
Algodão nº 4 na mesma agulha entrega um punho que abre e não retorna, porque o algodão estica sem memória. Lã grossa engrossa o ponto pra 0,9 centímetro, derruba a contagem do corpo de 26 pontos pra 20 e fecha uma luva que aperta o polegar.
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A conta desta luva tem cinco números e nenhum é palpite:
| Pontos de largura do punho | 9 | | Carreiras da faixa canelada | 28 | | Pontos do corpo por volta | 26 | | Altura total da luva | 18 cm | | Agulha | 4 mm |
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A amostra antes da luva: trabalhe um retângulo de 14 pontos baixos por 16 carreiras, apoie na mesa sem esticar e meça. Dez por dez centímetros é a malha desta peça, e é o número que manda em todos os outros.
Cada ponto baixo fica com 0,71 centímetro de largura e cada carreira com 0,63 de altura quando a malha descansa. Os 9 pontos de largura da faixa dão 6,4 centímetros de punho, e as 28 carreiras fecham 17,6 centímetros de circunferência.
O teste da mola: com a faixa canelada pronta e ainda aberta, estique ela pelas duas pontas até onde ela for e solte. Ela tem que voltar sozinha à medida de origem em menos de dois segundos. Voltou faltando 1 centímetro, o ponto entrou nas duas alças.
A medida final: 18 centímetros de altura, 6,4 de punho canelado, 11,6 de corpo e abertura de polegar de 3,2 centímetros. A luva pronta pesa perto de 31 gramas, e o par fecha em 62.
O par fechado leva perto de 112 metros de lã, o que dá 1 novelo de 100 gramas com sobra pro arremate. O novelo custa entre 28 e 42 reais no armarinho. Um par de luvas sem dedos pronto na feira de artesanato custa 65.
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II Carreira a Carreira
Do punho canelado de 28 carreiras aos 26 pontos do corpo
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A alça de trás é a única casa desta luva que não admite troca. Ela recebe a agulha nas 27 carreiras que seguem a primeira, e a alça da frente fica livre formando o sulco. Punho feito nas duas alças mede igual no dia da costura e devolve 3,4 centímetros de folga no décimo uso.
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O início: faça 10 correntinhas. Trabalhe 1 ponto baixo na segunda correntinha a partir da agulha e 1 em cada uma das restantes. São 9 pontos baixos na carreira 1, a única da faixa em que a agulha entra nas duas alças do ponto.
A carreira 2: vire o trabalho, suba 1 correntinha e trabalhe 9 pontos baixos entrando somente na alça de trás de cada ponto. A alça da frente fica visível como um cordão na superfície. Esse cordão é o sulco, e ele nasce nesta carreira.
As carreiras 3 a 28: repita exatamente a carreira 2, sempre na alça de trás, sempre 9 pontos, virando o trabalho a cada carreira. A faixa cresce em comprimento, nunca em largura, e fecha com 28 carreiras e 17,6 centímetros medidos sem esticar.
A costura do anel: encoste a carreira 28 na carreira 1 sem sobrepor e sem esticar nenhuma das duas. Costure com ponto baixíssimo ou chuleio, pegando 1 ponto de cada lado por vez. Faixa esticada na hora da costura entra no anel com 2 centímetros a mais e nunca mais fecha no pulso.
A pegada dos 26 pontos: com o anel fechado, trabalhe 26 pontos baixos distribuídos ao longo de uma das bordas da faixa, 1 ponto a cada ponta de carreira, pulando 2 pontas ao longo da volta. Marque o primeiro ponto: ele abre todas as voltas daqui pra frente.
As voltas 1 a 7 do corpo: trabalhe em espiral, sem fechar com ponto baixíssimo e sem subir correntinha, com 26 pontos baixos por volta nas duas alças. O corpo não é canelado e não precisa ser: quem segura a luva é o punho, e o corpo só acompanha a mão.
A abertura do polegar: na volta 8, trabalhe 20 pontos baixos, faça 6 correntinhas e pule os 6 pontos seguintes, fechando a volta em cima da corrente. As voltas 9 a 12 seguem normais, com 26 pontos, trabalhando as correntinhas como pontos comuns. A abertura fecha em 3,2 centímetros.
As voltas 13 a 18: siga em espiral com 26 pontos baixos por volta até o corpo somar 11,6 centímetros de altura contados da borda do punho. Feche a última volta com 1 ponto baixíssimo no primeiro ponto e corte o fio deixando 15 centímetros.
O arremate e a segunda luva: esconda as pontas pelo avesso, andando 5 centímetros por dentro dos pontos baixos e nunca por dentro da canelada, que enrijece a mola. A segunda luva repete tudo idêntico: a abertura do polegar cai no mesmo lugar e as duas servem nas duas mãos.
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