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O pega-panela que não deixa passar o calor
Pega-panela quadrado em fio de algodão nº 8 com agulha de 3 milímetros, nível iniciante, e o teste da chama que separa algodão de acrílico.
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Pega-panela quadrado em fio de algodão nº 8
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A alça de uma panela de ferro em fogo médio passa dos 150 graus em oito minutos. O pano encosta, a mão fecha, e o que decide os dois segundos seguintes não é a beleza do ponto, é a fibra do fio e a espessura do pano.
Fio de acrílico amolece perto dos 90 graus e vira líquido por volta dos 160. Encostado no metal quente ele não queima em chama alta, derrete: encolhe, gruda na alça e leva junto o que estiver do outro lado.
Algodão não tem ponto de fusão. Ele aguenta o contato até carbonizar, perto dos 200 graus, e mesmo escurecido segue sendo pano entre a mão e o metal.
O rótulo resolveria a dúvida se estivesse sempre lá. Armarinho vende fio a granel, novelo perde a cinta na cesta de promoção e a etiqueta de fio para artesanato cobre algodão, acrílico e mistura no mesmo saco.
A mistura é o caso mais comum e o mais traiçoeiro. Ela pega o toque macio do algodão e o comportamento do plástico no calor, derretendo por dentro enquanto o lado de fora ainda parece pano de cozinha.
Existe um teste de dez centímetros que separa os três em menos de um minuto, com um isqueiro, uma pinça e a pia. A chama pergunta e a fibra responde: como o fio se comporta ao chegar perto do fogo, que cheiro solta e o que sobra depois.
A outra metade do problema é geometria. Uma camada de ponto baixo em fio de algodão nº 8 mede perto de 4 milímetros, e 4 milímetros entregam a temperatura da alça pra palma antes da panela chegar na mesa.
Duas camadas trabalhadas separadas e unidas depois dobram a espessura e ainda prendem uma folga de ar entre elas. O ar parado é o pior condutor da cozinha, e a peça existe pra comprar tempo, não pra bloquear calor.
A receita não pede ponto novo nem molde comprado. O pega-panela inteiro roda em correntinha e ponto baixo, dois quadrados iguais e uma volta que costura os dois com a agulha na mão.
A ficha abre pelo fio, pela agulha, pela amostra de dez centímetros e pelas medidas que o quadrado precisa entregar pra cobrir a mão inteira.
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I A Peça do Dia
Pega-panela de 20 centímetros em fio nº 8
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A ficha completa da peça.
A peça de hoje: pega-panela quadrado em dupla camada, nível iniciante, 20 centímetros de lado e 1 centímetro de espessura fechada. A execução usa correntinha e ponto baixo, dois quadrados iguais unidos por uma volta só. O tempo estimado é de quatro horas, em duas sentadas.
Antes da primeira correntinha: um novelo de fio de algodão nº 8 de 100 gramas, perto de 200 metros. Agulha de crochê de 3 milímetros. Tesoura, agulha de tapeceiro, fita métrica, marcador de ponto, um isqueiro e uma pinça de metal.
O fio nº 8 é o corpo da peça: algodão retorcido em quatro cabos, perto de 1,5 milímetro de diâmetro, firme na mão e denso o bastante pra fechar malha sem furo na agulha de 3 milímetros.
Fio nº 6, mais grosso, pede agulha de 3,5 e derruba a amostra pra 1,7 ponto por centímetro. Barbante nº 4 fecha quadrado duro que não dobra na alça. Trocar de fio sem refazer a amostra muda o lado do quadrado em centímetros.
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A conta do quadrado tem três números e nenhum é palpite: o lado em centímetros, os pontos por centímetro e as carreiras por centímetro. Os 20 centímetros deste pega-panela, a 2 pontos por centímetro, fecham em 40 pontos de base e 44 carreiras de altura.
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A amostra de dez centímetros: monte 24 correntinhas e trabalhe 12 carreiras de ponto baixo. Meça a décima carreira apoiada na mesa, sem esticar. Vinte pontos em 10 centímetros e 22 carreiras em 10 centímetros é a malha desta peça.
Cada ponto fica com 0,5 centímetro de largura e cada carreira com 0,45 de altura. Os dois números entram na conta: a largura decide os 40 pontos da base, a altura decide as 44 carreiras que fecham o quadrado.
A tolerância da conta: mão apertada entrega 23 pontos em 10 centímetros e um quadrado de 17,5, que deixa a alça exposta na borda. O caminho é subir pra agulha de 3,5 milímetros e refazer a amostra, nunca forçar a contagem.
O teste da mão: abra a palma sobre o quadrado pronto, com os dedos juntos. A mão inteira precisa caber dentro dos 20 centímetros e sobrar perto de 2 centímetros em cada borda, que é o que a pega em volta da alça consome.
A medida final: 20 centímetros de lado em cada quadrado, 1 centímetro de espessura com as duas camadas unidas, volta de acabamento com 172 pontos e alça de 12 correntinhas na quina.
A peça fechada leva perto de 75 metros de fio. O novelo de 200 metros custa entre 14 e 22 reais no armarinho e rende dois pega-panelas com sobra, o que põe o fio de cada peça perto de 8 reais.
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II Carreira a Carreira
Os dois quadrados e a volta que une
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Os dois quadrados nascem iguais e nenhum dos dois é ajustado depois: a mesma amostra, a mesma agulha, a mesma contagem de 40 pontos por 44 carreiras. Quadrado 2 pontos mais largo que o outro aparece na volta de união e empena a quina.
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Antes da agulha, o teste da chama: corte 10 centímetros da ponta do novelo, prenda numa pinça de metal e leve pra pia, com a janela aberta.
Passo 1, a aproximação: chegue devagar com a chama do isqueiro, sem encostar. Fio de algodão vai direto pro fogo. Acrílico recua, encolhe e faz uma bolha na ponta antes de qualquer chama.
Passo 2, a queima: algodão pega chama amarela e firme, e continua queimando depois que o isqueiro sai. Acrílico derrete com chama pequena, pinga e apaga sozinho quase sempre.
Passo 3, o cheiro: apague e cheire de longe. Papel queimado ou folha seca quer dizer algodão. Cheiro químico, de plástico quente, quer dizer acrílico ou mistura.
Passo 4, o resíduo: esfregue a ponta queimada entre os dedos depois de fria. Cinza acinzentada que vira pó é algodão. Bolinha preta e dura que não esfarela é acrílico, e cinza com pontos duros no meio é mistura.
Quadrado 1, carreira de base: 41 correntinhas. Ponto baixo na segunda correntinha a partir da agulha e um em cada correntinha até o fim, o que fecha a carreira em 40 pontos.
Carreiras 2 a 44: 1 correntinha de virada, que não conta como ponto, e 1 ponto baixo em cada ponto da carreira anterior, pegando as duas alças. São 40 pontos em toda carreira, do começo ao fim.
Contar a correntinha de virada como ponto é o jeito mais rápido de o quadrado virar trapézio. O marcador fica no primeiro ponto de cada carreira e resolve a dúvida sem recontar os 40.
Quadrado 2: repita a receita inteira. Deite um sobre o outro na mesa e confira 20 por 20 centímetros nos dois, sem esticar. Diferença acima de meio centímetro pede o quadrado menor refeito.
A união: encoste os dois avesso com avesso, alinhe as quinas e trabalhe uma volta de ponto baixo atravessando as duas camadas de uma vez. São 40 pontos em cada lado e 3 pontos dentro de cada quina, 172 no total.
A alça: ao voltar na quina de partida, feche 12 correntinhas e prenda com 1 ponto baixo na mesma quina. Trabalhe 15 pontos baixos dentro do laço, que deixam a alça firme e sem torção.
O arremate: corte o fio com 15 centímetros de sobra, passe na agulha de tapeceiro e esconda a ponta entre as duas camadas, atravessando 4 centímetros antes de cortar rente.
A lavagem: água morna, sabão neutro e secagem deitada. O ferro não entra nesta peça: passar achata as camadas, fecha a folga de ar e tira do pega-panela a parte que segurava o calor.
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