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O cesto de barbante que fica em pé
Cesto redondo de barbante nº 6, nível iniciante, com a carreira exata em que os aumentos param pra parede subir firme.
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Cesto de barbante nº 6 com a parede em pé
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Um cesto de barbante feito em casa costuma falhar de dois jeitos, e os dois aparecem na primeira semana de uso. Ou a parede entorta pro lado assim que o cesto recebe peso dentro, ou a peça inteira amolece e a boca fecha sozinha, com o fundo estufado feito prato.
Quem executa em casa costuma culpar o fio. Na maior parte das vezes a culpa está em duas decisões tomadas antes da primeira carreira: o ponto em que os aumentos param e a malha que a agulha produz. As duas cabem numa linha de ficha, e nenhuma se conserta com a peça pronta.
O fundo do cesto cresce porque cada carreira ganha seis pontos a mais que a anterior. Enquanto o aumento continua, o trabalho abre em disco na horizontal. No instante em que o aumento para, o disco vira parede e sobe. Uma carreira de aumento a mais que o necessário basta pra peça nascer em forma de cone.
O amolecimento tem outra origem. Barbante nº 6 trabalhado com agulha grande demais entrega uma malha vazada, e malha vazada não sustenta parede quando o cesto enche. A firmeza sai da tensão da mão e do diâmetro da agulha, nunca do preço do novelo.
Entre o disco e a parede existe ainda uma carreira de virada, feita uma vez só, que marca a dobra do fundo. Repetida em duas ou três voltas seguidas, a mesma carreira vira o ponto exato em que o cesto cheio dobra.
O teste da peça é o primeiro uso, e não a foto do dia em que ela fica pronta. Vazio e recém-arrematado, quase todo cesto fica em pé. A parede só mostra o que vale quando alguém empilha revista, novelo ou brinquedo lá dentro.
A execução de hoje resolve os dois defeitos com número: uma carreira exata pra parar o aumento, uma agulha menor que a indicada na etiqueta do barbante e uma amostra de dez centímetros medida antes de montar o anel. Veja a ficha completa, com fio, agulha, tempo e medida final.
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I A Peça do Dia
Cesto redondo de 18 por 14 centímetros
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Nível, fio, agulha, tempo de execução e medida final da peça, com a amostra de dez centímetros que decide a firmeza da parede antes da primeira carreira do fundo.
A peça de hoje: cesto redondo de barbante nº 6, nível iniciante, com 18 centímetros de base e 14 de parede. A execução inteira usa correntinha, ponto baixo e ponto baixíssimo, sem ponto novo pra aprender no meio do caminho.
Antes da primeira carreira: dois novelos de barbante nº 6 de 200 gramas, cerca de 220 metros cada, em cor crua ou clara. Agulha de 4 milímetros. Um marcador de ponto, ou um pedaço de fio de cor diferente. Agulha de tapeceiro pra esconder as pontas, tesoura e fita métrica.
O tempo estimado é de três horas e meia, uma tarde. O nível é iniciante pela mão, e não pela cabeça: o que exige atenção aqui é a contagem, que precisa fechar carreira a carreira até o momento de parar o aumento.
O barbante nº 6 é o corpo da peça. O fio nº 4 é mais fino, pede mais carreiras pra chegar na mesma altura e entrega parede mole. O fio nº 8 sobe rápido e engrossa a curva do fundo, o que empurra a base pra fora e deixa o cesto bambo na mesa.
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A agulha de 4 milímetros é menor que a indicada na etiqueta do barbante nº 6, e a escolha é deliberada. Malha apertada é o que segura a parede em pé depois de cheia.
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A amostra de dez centímetros: monte 20 correntinhas, trabalhe 15 carreiras de ponto baixo e meça o quadrado no meio da peça, sem esticar. Doze pontos e treze carreiras em 10 centímetros é a malha desta peça.
Amostra com catorze pontos em 10 centímetros quer dizer malha mais fechada que a nossa: o cesto sai firme e um pouco menor, e nada muda na execução. Amostra com dez pontos quer dizer malha vazada, e o caminho é descer pra agulha de 3,5 milímetros e refazer o quadrado antes de montar o anel.
A peça é trabalhada em espiral, sem fechar a carreira com ponto baixíssimo a cada volta. A espiral evita a costura vertical que o fechamento deixa marcada na parede, e cobra uma contrapartida: sem marcador, ninguém sabe onde a carreira começou.
Prenda o marcador na primeira malha de cada carreira e mude o marcador de lugar a cada volta concluída. É o gesto que sustenta a contagem até a carreira em que o aumento precisa parar.
A peça fechada tem 72 pontos por carreira, 18 centímetros de diâmetro na base, 14 de altura e perto de 400 gramas de barbante. Cabe uma tarde de novelos, o controle da televisão e a pilha de revista que vive na mesa de centro.
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II Carreira a Carreira
Doze carreiras de aumento e mais nada
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Os aumentos param na carreira 12, com 72 pontos na volta. Da carreira 13 em diante toda carreira tem 72 pontos e nenhum a mais, e a contagem repetida é o que faz a parede subir reta em vez de abrir em cone.
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Carreira 1: faça o anel mágico e trabalhe 6 pontos baixos dentro dele. Puxe a ponta do fio pra fechar o buraco do centro e prenda o marcador no primeiro ponto.
Se o anel mágico ainda escapa da sua mão, monte 4 correntinhas, feche em anel com um ponto baixíssimo e trabalhe os 6 pontos baixos dentro do anel. O centro fica com um furo pequeno, e o cesto não perde firmeza por causa dele.
Carreira 2: 2 pontos baixos em cada ponto da volta, e a carreira fecha com 12 pontos.
Carreira 3: 1 ponto baixo, 2 pontos baixos no ponto seguinte, e repita a dupla até o fim da volta. São 18 pontos.
Carreira 4: 2 pontos baixos, aumento no ponto seguinte, e repita a sequência. São 24 pontos.
Carreiras 5 a 12: a regra segue a mesma, e o número de pontos simples entre um aumento e outro cresce de um em um. A carreira 5 fecha com 30 pontos, a 6 com 36, a 7 com 42, e a sequência termina na carreira 12, com 72 pontos e 18 centímetros de diâmetro.
Onde o fundo entorta: o aumento de cada carreira precisa cair um ponto adiante do aumento da carreira anterior. Empilhar os seis aumentos sempre na mesma coluna produz um hexágono de cantos duros, e o hexágono é a razão mais comum de um fundo redondo sair torto.
Pare na carreira 12 e meça a base apoiada na mesa, sem esticar o barbante. Dezoito centímetros de ponta a ponta. Base menor pede mais uma carreira de aumento, base maior pede desmanchar uma, e a correção custa dez minutos agora, contra a peça inteira depois.
Carreira 13: 72 pontos baixos pegando só a alça de trás de cada ponto. É a carreira da virada, e ela ganha explicação por extenso mais adiante nesta edição.
Carreiras 14 a 31: 72 pontos baixos por carreira, sem aumento nenhum, com o marcador mudando de lugar a cada volta. São dezoito carreiras de parede, perto de 14 centímetros de altura.
Carreira 32: trabalhe um ponto baixíssimo em cada ponto da volta e corte o fio deixando 15 centímetros de sobra. A carreira de ponto baixíssimo fecha a boca com uma borda firme, que segura o barbante e impede a beirada de enrolar pra dentro com o uso.
Passe a sobra na agulha de tapeceiro e esconda o fio por dentro da parede, atravessando pelo menos cinco pontos e sempre em direção contrária à do trabalho. Ponta escondida em dois ou três pontos reaparece depois da primeira lavagem.
Se o cesto sair da mão levemente ovalado, encha ele de pano seco até a boca, ajeite o formato com a mão e deixe a peça parada uma noite. O barbante acomoda a fibra e a parede assume o desenho do recheio.
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III O Ponto da Semana
Ponto baixo na alça de trás
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Todo ponto baixo fecha dentro de duas alças, o V que aparece no topo do ponto da carreira anterior. A alça da frente é a que fica mais perto de você com a peça na mão, e a alça de trás é a do outro lado do V.
Trabalhar pegando só a alça de trás deixa a alça da frente solta, e a alça solta forma um filete horizontal em relevo na volta inteira. O filete funciona como dobradiça: ele marca onde o fundo termina e a parede começa.
O ponto baixo comum, com a agulha entrando nas duas alças, entrelaça as carreiras e engrossa a malha. É o ponto que sustenta a parede inteira do cesto, e por causa dele a peça aguenta ficar cheia sem ceder.
A alça de trás: na carreira 13, entre com a agulha apenas na alça mais distante de cada ponto e feche o ponto baixo do jeito de sempre. Só a carreira 13 vai assim. Da 14 em diante volta o ponto baixo comum, com a agulha entrando nas duas alças.
O erro mais comum: seguir na alça de trás por duas ou três carreiras seguidas, porque o relevo fica bonito de olhar. Cada carreira feita assim tira firmeza da parede, e o cesto cheio dobra exatamente na última delas.
O teste: apoie o cesto na mesa e olhe a peça de lado, na altura do olho. A parede tem que subir em ângulo reto com o fundo. Parede aberta pra fora denuncia aumento a mais na base, e parede inclinada pra dentro denuncia a mão apertando o fio ao longo da subida.
Vale medir a boca em duas direções depois de arrematar. Diferença de até meio centímetro entre uma medida e outra é normal no barbante. Diferença de dois centímetros quer dizer que a contagem escorregou em alguma carreira da parede, com o marcador esquecido em alguma volta.
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O trabalho manual em que a qualidade do resultado não está predeterminada, e sim dependente do julgamento, da destreza e do cuidado que o executante exerce enquanto trabalha.
David Pye, The Nature and Art of Workmanship, 1968
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A frase de Pye descreve a carreira 13 melhor que qualquer receita. A régua está escrita, o número de pontos está dado, e ainda assim duas artesãs entregam paredes diferentes na mesma peça, porque a tensão de cada mão faz parte do trabalho.
A parede sobe reta quando o aumento para na carreira certa, a virada acontece uma vez só e a malha nasce apertada desde a amostra.
"Meu cesto entorta na base ou amolece na parede?"
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Quiz da edição
Segundo a ficha da peça, em qual carreira os aumentos param, deixando a parede subir reta com 72 pontos por volta?
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