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ED 016

O cachepô que não deixa a rega encharcar o barbante

Cachepô de barbante nº 6 com agulha de 5 milímetros para vaso de 15 centímetros, nível iniciante, com fundo em ponto baixo fechado.

Cachepô de crochê em barbante cru com um vaso de barro de 15 centímetros dentro, agulha de 5 milímetros e novelo apoiados ao lado no piso de madeira escura.

Cachepô de barbante nº 6 para vaso de 15 cm

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Um cachepô de crochê recebe a primeira rega e a água desce pelo prato do vaso até encontrar o barbante. O fio bebe, escurece numa mancha larga na base e leva quase dois dias pra secar por completo dentro de casa.

Na segunda rega a mancha volta antes de a primeira ter saído. Na terceira o barbante já está úmido o tempo inteiro, e é aí que aparece o cheiro de pano esquecido no varal.

O barbante nº 6 é algodão puro e absorve muito. Um cachepô molhado na base fica pesado, perde a firmeza da parede, cede pra fora e deixa de segurar o vaso de pé. A peça continua bonita por cima e apodrece por baixo.

O erro não está na rega nem no fio. Está em deixar o crochê encostar direto na água que sai do vaso, e em fazer um fundo vazado que entrega essa água ao piso e ao fio ao mesmo tempo.

A correção tem duas partes e nenhuma delas exige ponto novo. A primeira é o fundo em ponto baixo fechado, feito em espiral, sem espaço entre um ponto e outro. Ponto baixo é o ponto mais denso do crochê básico, e um fundo denso não deixa a água atravessar a peça e escorrer pro chão.

A segunda parte é o forro plástico. Um pote plástico rígido ou um saco grosso dobrado dentro do cachepô recebe a água que sobra da rega e mantém o barbante fora do contato. O plástico seca com um pano em 10 segundos; o fio de algodão leva dois dias.

Junte as duas e o cachepô muda de categoria. Ele para de ser um enfeite que dura uma estação e vira um objeto de casa que aceita rega semanal por anos, com o vaso apoiado dentro e nenhuma mancha na base.

O que decide o resultado é a ordem do trabalho, e ela começa antes da primeira laçada: na medida do vaso, no barbante escolhido, na agulha e no número de aumentos que fecham um fundo redondo do tamanho certo.

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I  A Peça do Dia

Cachepô de barbante nº 6 para vaso de 15 cm

A ficha completa da peça.

A peça de hoje: cachepô cilíndrico em barbante nº 6 para vaso de 15 centímetros de boca, nível iniciante, com fundo em ponto baixo fechado e parede reta. A execução usa anel mágico, correntinha e ponto baixo. O tempo estimado é de 4 horas, do anel ao último ponto escondido.

Antes da primeira laçada: um rolo de barbante nº 6 de 200 gramas, perto de 160 metros. Agulha de crochê de 5 milímetros. Tesoura, agulha de tapeceiro, fita métrica e marcador de ponto.

O barbante nº 6 é o corpo desta peça. Ele tem perto de 2 milímetros de espessura, é encorpado o suficiente pra a parede ficar de pé sozinha e ainda passa com folga na agulha de 5 milímetros sem travar a laçada.

Barbante nº 4 é mais grosso e entrega um cachepô rígido demais pra ajustar ao vaso, com o fundo abaulado. Fio de malha pede agulha de 8 milímetros, sobe rápido e devolve uma parede mole que dobra assim que o vaso entra.

A conta deste cachepô tem cinco números e nenhum é palpite:

Pontos do anel mágico8
Carreiras de aumento no fundo7
Pontos na última carreira do fundo56
Carreiras retas da parede14
Diâmetro final do fundo15,5 cm

A amostra antes do cachepô: trabalhe um quadrado de 14 pontos baixos por 16 carreiras, apoie na mesa sem esticar e meça. Dez por dez centímetros é a malha desta peça, e é o número que manda em todos os outros.

Cada ponto baixo fica com 0,71 centímetro de largura e 0,62 de altura. As 14 carreiras da parede fecham perto de 8,7 centímetros, e a espiral do fundo sobe mais 1 centímetro na virada da base pra lateral.

A medida do vaso vem primeiro: meça a boca do vaso de barro por fora, com a fita rente à borda. Um vaso de 15 centímetros pede um fundo de crochê de 15,5, porque a parede precisa de meio centímetro de folga pra o barro entrar sem forçar o ponto.

A tolerância da conta: mão frouxa entrega 12 pontos nos mesmos 10 centímetros e um fundo de 18 centímetros, largo demais, com o vaso balançando dentro. O caminho é descer pra agulha de 4,5 milímetros e refazer a amostra, nunca apertar o barbante só na hora de medir.

O teste do apoio: ponha o cachepô vazio numa mesa e olhe de lado. A parede precisa subir reta e o fundo precisa encostar inteiro na mesa, sem balançar quando você toca a borda. Fundo que abaula denuncia aumento a mais nas últimas carreiras.

A medida final: 15,5 centímetros de fundo, 14 carreiras de parede e 9,7 centímetros de altura total. A peça pronta pesa perto de 120 gramas e recebe um vaso de barro de 15 centímetros de boca com o forro entre os dois.

O cachepô fechado leva perto de 95 metros de barbante, o que dá metade de um rolo de 200 gramas. O rolo custa entre 22 e 30 reais no armarinho. Um cachepô de fibra pronto na loja de casa custa 60.

 
 

II  Carreira a Carreira

Do anel de 8 pontos ao forro que entra por último

Todo o fundo sai em espiral contínua, sem fechar carreira com ponto baixíssimo e sem correntinha de subida. O marcador de ponto entra no primeiro ponto de cada volta e sobe junto com o trabalho. Sem marcador, a conta dos aumentos se perde na terceira carreira.

O anel mágico: enrole o barbante duas vezes no dedo, trabalhe 8 pontos baixos dentro do anel e puxe a ponta solta até o buraco do meio fechar por completo. Anel frouxo abre com o peso do vaso e deixa um furo no centro do fundo.

A carreira 1 do fundo: 2 pontos baixos em cada ponto do anel. São 16 pontos ao final da volta, contados uma vez antes de seguir.

A carreira 2: 1 ponto baixo, 2 pontos baixos no ponto seguinte, repetido até o fim. São 24 pontos. A regra vale pra todas as carreiras do fundo: a cada volta entram 8 pontos, sempre distribuídos igualmente.

As carreiras 3 a 7: aumente um ponto simples no intervalo a cada volta. A carreira 3 vai de 2 em 2 e fecha em 32, a 4 vai de 3 em 3 e fecha em 40, a 5 fecha em 48, a 6 fecha em 52 com aumento alternado e a 7 fecha em 56.

A conferência do fundo: apoie o disco na mesa e meça o diâmetro. Ele precisa dar 15,5 centímetros e ficar plano. Disco que vira tigela denuncia aumento de menos, e disco que ondula na beirada denuncia aumento de mais.

A virada da base pra parede: trabalhe uma volta inteira de 56 pontos baixos pegando só a alça de trás de cada ponto. Essa volta cria a dobra que levanta a parede em ângulo reto e é o que impede o cachepô de sair em formato de prato fundo.

As carreiras da parede: 56 pontos baixos por volta, sem aumento e sem diminuição, por 14 voltas. Conte os pontos a cada 3 voltas. Ponto perdido na parede fecha a boca do cachepô e o vaso deixa de entrar no fim do trabalho.

A borda: na última volta, trabalhe 56 pontos baixos pegando as duas alças e mais 1 volta de ponto baixo em sentido inverso, da esquerda pra direita. A volta invertida deixa uma trança firme na boca e evita que a borda role pra fora.

O arremate: feche com ponto baixíssimo no ponto seguinte, corte o barbante com 15 centímetros de sobra, puxe a ponta pela laçada e esconda a sobra pelo avesso com a agulha de tapeceiro, andando 5 centímetros por dentro da parede.

O forro plástico: corte um pote plástico rígido de 15 centímetros de boca na altura de 9 centímetros, lixe a borda cortada e encaixe dentro do cachepô, com o fundo do pote apoiado no fundo de crochê. A borda do plástico fica 1 centímetro abaixo da borda de barbante e desaparece da vista.

O vaso e a rega: ponha o vaso de barro dentro do forro, regue direto no vaso e espere 20 minutos. Tire o vaso, escorra a água acumulada no forro na pia e seque o plástico com um pano antes de devolver a planta pro lugar.

 
 

III  O Ponto da Semana

Por que o fundo fechado e o forro salvam o barbante

Um cachepô de crochê enfrenta um problema que uma peça de mesa nunca vê: ele convive com água toda semana, por anos. Algodão molhado e algodão seco são dois materiais diferentes, e a peça precisa ser construída pra ficar sempre no segundo estado.

O algodão do barbante absorve perto de 27 vezes o próprio peso em água antes de pingar. Um cachepô de 120 gramas com a base encharcada carrega quase meio quilo de água invisível, e é esse peso que abre a parede pra fora e desmonta o cilindro.

O defeito do fundo vazado: fundo em ponto alto ou com espaço entre os pontos deixa a água passar direto pro móvel. O barbante ainda molha na descida, e a mancha do móvel aparece antes de você notar a mancha no fio.

O defeito do forro improvisado com pano: pano de prato dobrado no fundo parece resolver e faz o contrário. Ele guarda a água encostada no crochê por horas, e a umidade sobe do pano pro barbante em vez de descer pro ralo.

O defeito da rega com o vaso dentro: regar sem tirar o vaso deixa a sobra parada no forro por dias. O plástico não estraga, mas a água parada evapora dentro do cachepô e umedece a parede de barbante de dentro pra fora.

O defeito do barbante colorido na base: barbante tingido solta cor quando molha. Uma base encharcada de cachepô vermelho deixa marca permanente no piso claro e no barro do vaso, e nenhuma lavagem depois desfaz.

Nós tocamos as coisas para nos assegurar da realidade.

Anni Albers, On Weaving, 1965

A frase de Albers explica por que um cachepô mole decepciona antes de qualquer análise. A mão pega a peça pela borda, sente a parede ceder e entende na hora que aquilo não sustenta um vaso, mesmo que o olho tenha aprovado a peça de longe.

O cachepô dura anos quando o fundo sai em ponto baixo fechado, o forro plástico recebe a água da rega antes do fio e o vaso volta pro lugar só depois que a base do plástico está seca.

"Quantas vezes você regou um vaso e viu a água escurecer o barbante por baixo?"

 
 
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