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O bico de pano de prato que não franze o tecido
Barrado em linha nº 10 com agulha de 1,5 milímetro, nível iniciante, e a conta de 3 pontos por centímetro que prende o bico sem repuxar a barra.
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Barrado em linha nº 10 na barra do pano
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Um pano de prato com bico sai da bancada esticado na mesa e parece resolvido. Pendurado na alça do forno, a barra se fecha como boca franzida e o tecido junta seis pregas em cima da linha.
A conversa de grupo costuma culpar a mão. Mão pesada, linha apertada, agulha fina demais. O bico é desmanchado, a segunda tentativa sai com a mão mais leve e a barra franze igual.
O defeito nasce antes do primeiro ponto. A barra do pano tem um comprimento fixo, medido em centímetros, e a carreira de crochê presa nela também tem, decidido pelo número de pontos e pela largura de cada ponto.
Quando as duas medidas batem, o bico deita. Quando a carreira de crochê sai mais curta que a barra, ela vira cordão: puxa o tecido pra dentro, e a sobra de pano não tem pra onde ir a não ser pra cima, em prega.
Quando sai mais comprida, a sobra troca de lado. O bico ondula, ganha babado que não estava no desenho, e a barra perde a linha reta do mesmo jeito.
A régua dos dois casos é uma só: quantos pontos baixos cabem em um centímetro de linha nº 10 com agulha de 1,5 milímetro. O número não sai da embalagem do novelo, ele sai de uma amostra de oito centímetros feita antes de encostar a agulha no pano.
Com o número na mão a barra deixa de ser adivinhação. Largura da barra vezes pontos por centímetro entrega o total da carreira de base, e o total precisa fechar com o grupo que o bico repete, pra última concha cair inteira na quina.
A receita não pede ponto novo nem molde comprado. O barrado inteiro roda em correntinha, ponto baixo e ponto alto, três carreiras que fecham numa tarde de mesa.
A ficha abre pela linha, pela agulha, pela amostra de oito centímetros e pelas medidas que o bico entrega quando a conta da carreira de base fecha certa.
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I A Peça do Dia
Barrado de 48 centímetros em linha nº 10
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A ficha completa da peça.
A peça de hoje: barrado de crochê para pano de prato, nível iniciante, 48 centímetros de barra e 2,5 centímetros de altura. A execução usa correntinha, ponto baixo e ponto alto, com a primeira carreira presa direto no tecido. O tempo estimado é de duas horas e meia.
Antes da primeira carreira: um novelo de linha nº 10 de algodão, perto de 150 metros. Agulha de crochê de 1,5 milímetro. Um pano de prato de sacaria lavado e passado, régua de 30 centímetros, caneta de marcar tecido e agulha de tapeceiro.
A linha nº 10 é o corpo do bico: algodão mercerizado torcido, fino pra atravessar a trama da sacaria sem alargar o furo e firme pra voltar da máquina de lavar sem murchar.
Linha nº 20, mais fina, pede agulha de 1,25 milímetro e sobe a conta pra 4 pontos por centímetro. Linha nº 6, mais grossa, pede agulha de 1,75 e desce pra 2,5. Trocar de linha sem refazer a amostra é o caminho curto pro franzido.
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A conta da carreira de base tem três números e nenhum é palpite: a largura da barra, os pontos por centímetro medidos na amostra e o grupo que o bico repete. Os 48 centímetros desta barra, a 3 pontos por centímetro, fecham em 144, mais 1 ponto de quina, 145 no total.
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A amostra de oito centímetros: monte 30 correntinhas e trabalhe 4 carreiras de ponto baixo. Meça a terceira carreira apoiada na mesa, sem esticar. Vinte e quatro pontos em 8 centímetros é a malha deste barrado, 3 pontos por centímetro, cada ponto com 0,33 centímetro.
Na barra do pano a amostra vira marcação, e a marcação existe pra o erro não acumular. Se um centímetro sair com 2 pontos, o desvio morre ali em vez de empurrar o resto da barra pra fora do lugar e aparecer só na última quina.
A tolerância da conta: barra de 47 centímetros dá 141, que não fecha em grupo de 6. Suba pra 144 e espalhe os 3 pontos extras ao longo da barra. Diferença de até 4 pontos no total, quase 3 por cento, o algodão absorve sem mostrar.
O teste da mesa: termine a carreira de base e abra o pano numa superfície plana. Barra certa fica reta e imóvel. Prega em cima da linha quer dizer ponto a menos, e borda que ondula quer dizer ponto a mais.
A medida final: barra de 48 centímetros, bico de 2,5 centímetros de altura, 24 conchas de 5 pontos altos e 2 centímetros entre os centros de duas conchas.
O barrado fechado leva perto de 55 metros de linha. O novelo de linha nº 10 custa entre 12 e 18 reais no armarinho e rende quase três panos, o que põe a linha de cada peça em 5 reais.
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II Carreira a Carreira
Os 145 pontos da carreira de base
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A carreira de base não é crochê no ar: cada ponto baixo entra no tecido, a 3 milímetros da borda da bainha e pegando só as duas camadas de cima. A régua marca os centímetros, e o dedo conta até 3 dentro de cada marca.
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Antes da agulha: lave e passe o pano de prato. Sacaria de algodão cru encolhe até 5 por cento na primeira lavagem, e o bico montado no pano cru repuxa depois, com a conta certa e tudo.
A marcação: abra o pano na mesa, encoste a régua na bainha e risque uma marca a cada centímetro ao longo dos 48 centímetros da barra. São 47 marcas no meio, as duas quinas nas pontas e 48 espaços de um centímetro.
Carreira 1: com a agulha de 1,5 milímetro, fure o tecido na quina direita, 3 milímetros acima da borda, lace a linha e puxe. Feche o primeiro ponto baixo e siga furando e fechando, 3 pontos dentro de cada espaço marcado.
O último furo entra na quina esquerda, encostado na lateral do pano. São 144 pontos ao longo da barra mais o ponto da quina, 145 no total, e é aqui que a peça se decide.
Carreira 2: vire o trabalho. 1 ponto baixo no primeiro ponto da carreira de base, 5 correntinhas, pule 5 pontos e 1 ponto baixo no seguinte. Repita o grupo até a outra quina.
São 24 arcos de 5 correntinhas ancorados por 25 pontos baixos, e o último ponto baixo cai justo no ponto 145. Arco sobrando na ponta quer dizer que a carreira de base fechou fora do grupo de 6.
Carreira 3: vire de novo. 1 correntinha, 1 ponto baixo no primeiro ponto baixo da carreira anterior, 5 pontos altos dentro do arco e 1 ponto baixo no ponto baixo seguinte. Repita até o fim da barra.
São 24 conchas de 5 pontos altos, uma a cada 2 centímetros. Os 5 pontos altos abrem em leque dentro do arco sem forçar, porque o arco cobre na base o mesmo comprimento que a concha ocupa deitada.
A tensão da mão: a linha corre entre o dedo mínimo e o indicador, e a laçada sai sem puxão. Fechar cada ponto com um tranco encurta a carreira mesmo com a contagem certa, e o franzido volta pela porta dos fundos.
O arremate: corte a linha com 10 centímetros de sobra, passe na agulha de tapeceiro e esconda a ponta por dentro da dobra da bainha, atravessando três centímetros de tecido antes de cortar rente.
A passagem: ferro morno, do avesso, com pano úmido por cima e o peso só sobre a bainha. As conchas não recebem ferro direto, porque o ponto alto achata e o bico perde o relevo que segurava o desenho.
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