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O amigurumi que não mostra o enchimento
Chaveiro amigurumi em fio de algodão nº 8, nível iniciante, com a agulha de 2,5 milímetros e a espiral marcada que fecham a malha.
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Chaveiro amigurumi ao lado da agulha de 2,5
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Um chaveiro de amigurumi entrega o defeito na primeira vez que pega sol. A luz atravessa a malha, o enchimento branco aparece em pontinhos entre um ponto e outro, e o bichinho vira um saquinho de fibra pendurado na chave.
Quem executa em casa costuma culpar a fibra e compra enchimento mais caro na semana seguinte. A causa está uma etapa antes, no vão que a malha deixa entre dois pontos vizinhos.
Ponto baixo trabalhado com a agulha que o rótulo do fio recomenda nasce com folga. Folga é o que faz a peça de vestir cair bem no corpo, e é a mesma folga que deixa o amigurumi mostrar o que tem dentro.
A fibra siliconada é feita de filamentos finos e soltos. Qualquer abertura maior que um tufo deixa ele passar, devagar, com o chaveiro batendo no fundo do bolso todo dia.
O ajuste que fecha a malha não está no enchimento nem na força da mão. Está no número da agulha: duas medidas abaixo do que a etiqueta pede, 2,5 milímetros num fio de algodão nº 8 que pede 3,5.
Agulha menor entrega laçada menor. Laçada menor encurta a largura do ponto, os pontos vizinhos encostam um no outro, e a fibra fica sem por onde sair.
A conta cobra o preço no punho: a mesma receita rende uma peça menor e a mão trabalha mais firme, e é por causa da firmeza extra que o amigurumi começa por peça pequena.
O chaveiro é a menor delas e a certa pra fixar a regra na mão. Ele fecha numa noite, gasta seis gramas de fio e passa o dia apertado no bolso, o teste mais duro que uma malha de amigurumi encara.
A segunda regra da técnica é a espiral. A volta não fecha com ponto baixíssimo, ela emenda direto na seguinte, e sem marcador de ponto a contagem escorrega antes da quarta carreira.
A ficha abre pelo fio, pela agulha, pelo enchimento e pela amostra que decide o diâmetro final da esfera.
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I A Peça do Dia
Esfera de 4 centímetros em algodão nº 8
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A ficha completa da peça.
A peça de hoje: chaveiro amigurumi em ponto baixo, nível iniciante, esfera de 4 centímetros fechada em 14 carreiras. A execução usa anel mágico, ponto baixo, aumento e diminuição, sem mais nada.
Antes da primeira carreira: um novelo de fio de algodão nº 8 de 100 gramas, perto de 500 metros. Agulha de crochê de 2,5 milímetros. Fibra siliconada, marcador de ponto, agulha de tapeceiro, tesoura e uma argola de chaveiro de 25 milímetros.
O tempo estimado é de uma hora e meia, uma noite de bancada. O nível é iniciante do começo ao fim: a carreira 5 fecha os aumentos e as nove seguintes repetem ponto baixo.
O fio de algodão nº 8 é o corpo da peça, o fio fino e torcido da linha de amigurumi. Ele é mercerizado, não solta fiapo e guarda a forma que a agulha deu.
Fio nº 6 é mais grosso, entrega uma esfera de 5 centímetros nas mesmas 14 carreiras e pede agulha de 3 milímetros. Fio nº 12 é mais fino, pede agulha de 2 milímetros e fecha um chaveiro de 3 centímetros.
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A agulha de 2,5 milímetros desce dois números do que o rótulo do fio pede, e é ela que fecha a malha. Com a agulha de 3,5 a mesma receita nasce com vãos abertos, e o enchimento aparece antes de a peça sair da bancada.
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A amostra de dez centímetros: monte 30 correntinhas, trabalhe 30 carreiras de ponto baixo e meça o quadrado no meio, apoiado na mesa, sem esticar. Vinte e seis pontos e trinta carreiras em 10 centímetros é a malha deste chaveiro.
Na esfera a amostra vira diâmetro. Cada ponto ocupa perto de 3,8 milímetros, e a carreira mais larga, com 30 pontos, fecha uma circunferência de 11,5 centímetros.
Circunferência dividida por 3,14 entrega o diâmetro: 3,7 centímetros, os 4 arredondados da ficha. Amostra com 22 pontos em 10 centímetros quer dizer mão solta e vão aberto entre um ponto e outro.
O teste da luz: levante a amostra contra a janela antes de montar a peça. Malha fechada devolve um brilho difuso. Pontinhos de luz nítidos entre os pontos apontam agulha grande demais ou laçada frouxa.
A medida final: 4 centímetros de diâmetro, 6 com as orelhas e 7 com a argola presa. A peça fechada leva perto de 6 gramas de fio e 3 gramas de fibra siliconada.
Um novelo de 100 gramas rende mais de quinze chaveiros, e o fio de cada peça fica abaixo de dois reais. É o custo que abre catálogo de feira.
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II Carreira a Carreira
A volta em que o enchimento entra
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A peça inteira roda em espiral, sem ponto baixíssimo no fim da volta. Cada carreira emenda direto na seguinte, e o marcador de ponto é a única coisa que separa uma esfera redonda de um cone torto.
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Carreira 1: faça o anel mágico com 6 pontos baixos dentro dele. Prenda o marcador no primeiro ponto e puxe a ponta do fio até o centro fechar por completo. São 6 pontos.
Carreira 2: 2 pontos baixos em cada um dos 6 pontos da volta anterior. São 12 pontos, um aumento em cada ponto. Mova o marcador pro primeiro ponto da volta nova.
Carreira 3: 1 ponto baixo simples e 2 pontos baixos no seguinte, seis vezes. São 18 pontos.
Carreira 4: 2 pontos baixos simples e 1 aumento, seis vezes. São 24 pontos.
Carreira 5: 3 pontos baixos simples e 1 aumento, seis vezes. São 30 pontos, a carreira mais larga da esfera.
Carreiras 6 a 10: 30 pontos baixos retos, cinco voltas sem aumento nem diminuição. É o corpo da peça, e é onde a mão pega ritmo e afrouxa sem perceber.
Carreiras 11 a 13: comece a fechar. A 11 leva 3 simples e 1 diminuição seis vezes, e fica com 24 pontos. A 12 leva 2 simples e 1 diminuição, e fica com 18. A 13 leva 1 simples e 1 diminuição, e fica com 12.
A diminuição invisível: pegue só a alça da frente dos dois pontos que vão fechar juntos e trabalhe os dois numa laçada só. A diminuição comum deixa um furinho, e o furinho é porta de saída pra fibra.
Onde o enchimento entra: no fim da carreira 13, com a abertura ainda em 12 pontos. Encha em tufos pequenos, empurrados com o cabo da agulha, nunca com o bolo inteiro de uma vez.
O ponto certo tem teste próprio: aperte a esfera na mão fechada e solte. A peça precisa voltar sozinha ao formato, sem vinco e sem tufo entre os pontos. Peça mole enruga, peça dura abre os vãos.
Carreira 14: seis diminuições seguidas, uma em cada par de pontos. São 6 pontos. Corte o fio deixando 15 centímetros, passe na agulha de tapeceiro pela alça da frente dos 6 pontos restantes e puxe: a abertura fecha sem franzido.
Atravesse a peça de um lado ao outro com a ponta que sobrou, puxe firme e corte rente à malha. A ponta recua pra dentro do enchimento e some. Repita com a ponta do anel mágico.
As orelhas: duas peças iguais, cada uma com anel mágico de 6 pontos baixos e uma carreira reta de 6. Arremate deixando 15 centímetros de fio, sem enchimento, e costure cada orelha na carreira 6 da esfera.
A argola: monte 10 correntinhas, dobre a tira ao meio e passe as pontas por dois pontos do topo com a agulha de tapeceiro. Dê um nó por dentro e prenda a argola de metal na alça.
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