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ED 005

O amigurumi que não mostra o enchimento

Chaveiro amigurumi em fio de algodão nº 8, nível iniciante, com a agulha de 2,5 milímetros e a espiral marcada que fecham a malha.

Chaveiro amigurumi de algodão cru sobre a mesa de madeira, ao lado do novelo de fio nº 8, da agulha de 2,5 milímetros e de um tufo de fibra siliconada.

Chaveiro amigurumi ao lado da agulha de 2,5

 

Um chaveiro de amigurumi entrega o defeito na primeira vez que pega sol. A luz atravessa a malha, o enchimento branco aparece em pontinhos entre um ponto e outro, e o bichinho vira um saquinho de fibra pendurado na chave.

Quem executa em casa costuma culpar a fibra e compra enchimento mais caro na semana seguinte. A causa está uma etapa antes, no vão que a malha deixa entre dois pontos vizinhos.

Ponto baixo trabalhado com a agulha que o rótulo do fio recomenda nasce com folga. Folga é o que faz a peça de vestir cair bem no corpo, e é a mesma folga que deixa o amigurumi mostrar o que tem dentro.

A fibra siliconada é feita de filamentos finos e soltos. Qualquer abertura maior que um tufo deixa ele passar, devagar, com o chaveiro batendo no fundo do bolso todo dia.

O ajuste que fecha a malha não está no enchimento nem na força da mão. Está no número da agulha: duas medidas abaixo do que a etiqueta pede, 2,5 milímetros num fio de algodão nº 8 que pede 3,5.

Agulha menor entrega laçada menor. Laçada menor encurta a largura do ponto, os pontos vizinhos encostam um no outro, e a fibra fica sem por onde sair.

A conta cobra o preço no punho: a mesma receita rende uma peça menor e a mão trabalha mais firme, e é por causa da firmeza extra que o amigurumi começa por peça pequena.

O chaveiro é a menor delas e a certa pra fixar a regra na mão. Ele fecha numa noite, gasta seis gramas de fio e passa o dia apertado no bolso, o teste mais duro que uma malha de amigurumi encara.

A segunda regra da técnica é a espiral. A volta não fecha com ponto baixíssimo, ela emenda direto na seguinte, e sem marcador de ponto a contagem escorrega antes da quarta carreira.

A ficha abre pelo fio, pela agulha, pelo enchimento e pela amostra que decide o diâmetro final da esfera.

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I  A Peça do Dia

Esfera de 4 centímetros em algodão nº 8

A ficha completa da peça.

A peça de hoje: chaveiro amigurumi em ponto baixo, nível iniciante, esfera de 4 centímetros fechada em 14 carreiras. A execução usa anel mágico, ponto baixo, aumento e diminuição, sem mais nada.

Antes da primeira carreira: um novelo de fio de algodão nº 8 de 100 gramas, perto de 500 metros. Agulha de crochê de 2,5 milímetros. Fibra siliconada, marcador de ponto, agulha de tapeceiro, tesoura e uma argola de chaveiro de 25 milímetros.

O tempo estimado é de uma hora e meia, uma noite de bancada. O nível é iniciante do começo ao fim: a carreira 5 fecha os aumentos e as nove seguintes repetem ponto baixo.

O fio de algodão nº 8 é o corpo da peça, o fio fino e torcido da linha de amigurumi. Ele é mercerizado, não solta fiapo e guarda a forma que a agulha deu.

Fio nº 6 é mais grosso, entrega uma esfera de 5 centímetros nas mesmas 14 carreiras e pede agulha de 3 milímetros. Fio nº 12 é mais fino, pede agulha de 2 milímetros e fecha um chaveiro de 3 centímetros.

A agulha de 2,5 milímetros desce dois números do que o rótulo do fio pede, e é ela que fecha a malha. Com a agulha de 3,5 a mesma receita nasce com vãos abertos, e o enchimento aparece antes de a peça sair da bancada.

A amostra de dez centímetros: monte 30 correntinhas, trabalhe 30 carreiras de ponto baixo e meça o quadrado no meio, apoiado na mesa, sem esticar. Vinte e seis pontos e trinta carreiras em 10 centímetros é a malha deste chaveiro.

Na esfera a amostra vira diâmetro. Cada ponto ocupa perto de 3,8 milímetros, e a carreira mais larga, com 30 pontos, fecha uma circunferência de 11,5 centímetros.

Circunferência dividida por 3,14 entrega o diâmetro: 3,7 centímetros, os 4 arredondados da ficha. Amostra com 22 pontos em 10 centímetros quer dizer mão solta e vão aberto entre um ponto e outro.

O teste da luz: levante a amostra contra a janela antes de montar a peça. Malha fechada devolve um brilho difuso. Pontinhos de luz nítidos entre os pontos apontam agulha grande demais ou laçada frouxa.

A medida final: 4 centímetros de diâmetro, 6 com as orelhas e 7 com a argola presa. A peça fechada leva perto de 6 gramas de fio e 3 gramas de fibra siliconada.

Um novelo de 100 gramas rende mais de quinze chaveiros, e o fio de cada peça fica abaixo de dois reais. É o custo que abre catálogo de feira.

 
 

II  Carreira a Carreira

A volta em que o enchimento entra

A peça inteira roda em espiral, sem ponto baixíssimo no fim da volta. Cada carreira emenda direto na seguinte, e o marcador de ponto é a única coisa que separa uma esfera redonda de um cone torto.

Carreira 1: faça o anel mágico com 6 pontos baixos dentro dele. Prenda o marcador no primeiro ponto e puxe a ponta do fio até o centro fechar por completo. São 6 pontos.

Carreira 2: 2 pontos baixos em cada um dos 6 pontos da volta anterior. São 12 pontos, um aumento em cada ponto. Mova o marcador pro primeiro ponto da volta nova.

Carreira 3: 1 ponto baixo simples e 2 pontos baixos no seguinte, seis vezes. São 18 pontos.

Carreira 4: 2 pontos baixos simples e 1 aumento, seis vezes. São 24 pontos.

Carreira 5: 3 pontos baixos simples e 1 aumento, seis vezes. São 30 pontos, a carreira mais larga da esfera.

Carreiras 6 a 10: 30 pontos baixos retos, cinco voltas sem aumento nem diminuição. É o corpo da peça, e é onde a mão pega ritmo e afrouxa sem perceber.

Carreiras 11 a 13: comece a fechar. A 11 leva 3 simples e 1 diminuição seis vezes, e fica com 24 pontos. A 12 leva 2 simples e 1 diminuição, e fica com 18. A 13 leva 1 simples e 1 diminuição, e fica com 12.

A diminuição invisível: pegue só a alça da frente dos dois pontos que vão fechar juntos e trabalhe os dois numa laçada só. A diminuição comum deixa um furinho, e o furinho é porta de saída pra fibra.

Onde o enchimento entra: no fim da carreira 13, com a abertura ainda em 12 pontos. Encha em tufos pequenos, empurrados com o cabo da agulha, nunca com o bolo inteiro de uma vez.

O ponto certo tem teste próprio: aperte a esfera na mão fechada e solte. A peça precisa voltar sozinha ao formato, sem vinco e sem tufo entre os pontos. Peça mole enruga, peça dura abre os vãos.

Carreira 14: seis diminuições seguidas, uma em cada par de pontos. São 6 pontos. Corte o fio deixando 15 centímetros, passe na agulha de tapeceiro pela alça da frente dos 6 pontos restantes e puxe: a abertura fecha sem franzido.

Atravesse a peça de um lado ao outro com a ponta que sobrou, puxe firme e corte rente à malha. A ponta recua pra dentro do enchimento e some. Repita com a ponta do anel mágico.

As orelhas: duas peças iguais, cada uma com anel mágico de 6 pontos baixos e uma carreira reta de 6. Arremate deixando 15 centímetros de fio, sem enchimento, e costure cada orelha na carreira 6 da esfera.

A argola: monte 10 correntinhas, dobre a tira ao meio e passe as pontas por dois pontos do topo com a agulha de tapeceiro. Dê um nó por dentro e prenda a argola de metal na alça.

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III  O Ponto da Semana

Por que a agulha desce dois números

A malha de crochê é uma grade de laçadas, e o tamanho de cada laçada sai da haste da agulha. Quem decide a largura do ponto é o cilindro em volta do qual o fio dá a volta.

Descer de 3,5 para 2,5 milímetros tira um milímetro do diâmetro da haste, quase 30 por cento. A largura do ponto encolhe na mesma proporção, e o vão entre dois pontos vizinhos encolhe junto.

A conta aparece na amostra. O mesmo fio de algodão nº 8 entrega perto de 20 pontos em 10 centímetros com a agulha de 3,5, e 26 pontos com a de 2,5. São seis pontos a mais no mesmo espaço.

A fibra siliconada trabalha com tufos de meio milímetro. Enquanto o vão fica abaixo dessa espessura, ela não tem por onde passar.

O defeito do fio escuro: enchimento branco atrás de fio marinho ou grafite vira pontinho claro visível a um metro. Duas saídas: fibra tingida na cor do fio, ou o próprio fio picado como enchimento.

O defeito da mão solta: duas pessoas com a mesma agulha entregam malhas diferentes. Quem laça folgado precisa descer mais um número, a agulha de 2 milímetros. O critério é o teste da luz, nunca o número da embalagem.

O defeito do excesso de fibra: encher demais estica a malha e reabre os vãos que a agulha pequena fechou. A esfera fica dura, os pontos se afastam e o branco reaparece. Enchimento é firmeza, não volume.

O defeito do anel mágico frouxo: o furo do centro é a primeira porta de saída da peça. Puxe a ponta do fio até o centro sumir ainda na carreira 2, e prenda ela por dentro na hora do arremate.

O erro que faz a esfera virar cone: perder a marca da espiral. Sem o marcador a volta seguinte começa um ou dois pontos adiante, os aumentos escorregam de coluna, e a peça nasce com um bico de um lado.

A correção é mecânica. Mova o marcador antes do primeiro ponto de cada volta e conte os seis aumentos em voz alta, seis por volta até a carreira 5.

O teste do bolso: aperte o chaveiro na mão fechada por dez segundos e abra. A esfera volta ao formato, a malha não mostra fibra e a costura das orelhas segue reta.

É a lei que permeia todas as coisas orgânicas e inorgânicas: a forma sempre segue a função.

Louis Sullivan, The Tall Office Building Artistically Considered, 1896

A frase de Sullivan cabe na bancada sem ajuste. A densidade da malha do amigurumi não é capricho de acabamento, é a função que sustenta a forma: sem ela a esfera vira saco no primeiro mês de uso.

O amigurumi esconde o enchimento quando a agulha desce dois números do que o rótulo pede, o marcador acompanha a espiral carreira a carreira e a peça passa no teste da luz antes do primeiro tufo de fibra.

"O seu amigurumi passa no teste da luz ou mostra o enchimento?"

 
 
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Na carreira 5 deste chaveiro de amigurumi, quantos pontos a esfera tem ao fechar a volta?

A24 pontos
B18 pontos
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