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A pantufa que patina no piso frio
Pantufa adulta em lã média com agulha de 4,5 milímetros, nível iniciante, com sola dupla em carreira dobrada e pingos de silicone na base.
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Pantufa 38/39 em lã média, agulha de 4,5 mm
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A pantufa ficou pronta num sábado de manhã, do tamanho certo, macia, quente na mão. O teste foi dado no corredor de porcelanato da cozinha, com o pé calçado e o passo normal de quem vai buscar café, e o calcanhar deslizou uns quinze centímetros antes de decidir parar.
O tropeço não veio de tamanho errado. A numeração estava certa, a pantufa vestia justa no peito do pé, o cabedal subia até o tornozelo sem apertar. O problema estava embaixo, na superfície que ninguém olha enquanto trabalha, porque a sola é a parte que fica virada pra baixo do começo ao fim da execução.
Ponto baixo em lã média produz um tecido de superfície quase plana. As alças ficam encostadas umas nas outras, a fibra penteada é lisa por natureza, e o resultado é uma sola com pouquíssimo relevo. Sobre tábua corrida ou tapete, o atrito basta. Sobre porcelanato polido, cerâmica esmaltada ou laminado brilhante, a lã vira patim.
Uma sola de carreira única piora a conta por outro caminho. Ela tem perto de 4 milímetros de espessura, achata nas primeiras duas semanas de uso, deixa o frio do piso subir e transforma a área de contato numa lâmina ainda mais lisa. A pantufa que era grossa no primeiro dia fica fina no décimo quinto, e a aderência cai junto com a espessura.
A correção mora em duas operações que custam pouco. A primeira é trabalhar duas solas iguais e uni-las em carreira dobrada, entrando nas alças das duas peças ao mesmo tempo, o que devolve 8 milímetros de espessura e uma base que não achata. A segunda é aplicar pingos de cola de silicone transparente na parte de baixo da sola pronta, em pontos espaçados, e deixar curar antes de calçar.
Cada pingo de 5 milímetros vira uma borrachinha dura, fixada nas alças da lã, e é ela que morde o piso liso. Não é revestimento, é ancoragem: quarenta pontos de contato distribuídos onde o pé apoia peso, com a lã respirando entre eles.
A pantufa desta edição nasce dessa base, e a ficha da peça começa pela amostra que define os 25 centímetros de sola.
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I A Peça do Dia
Pantufa 38/39 em lã média com sola dupla
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A ficha completa da peça.
A peça de hoje: pantufa adulta numeração 38/39 em lã média com agulha de 4,5 milímetros, nível iniciante, em ponto baixo, com sola dupla em carreira dobrada e antiderrapante de silicone aplicado à mão. A execução usa correntinha, ponto baixo, aumento e ponto baixíssimo. O tempo estimado é de 6 horas para o par.
Antes da primeira laçada: 2 novelos de lã média de 100 gramas na cor escolhida, agulha de crochê de 4,5 milímetros, um tubo de cola de silicone transparente de 50 mililitros com bico fino, marcador de ponto, agulha de tapeçaria, tesoura, fita métrica e uma folha de papel manteiga para apoiar as solas durante a cura.
A lã média é o corpo desta peça porque ela tem volume suficiente pra segurar calor sem endurecer o cabedal. Fio fino exige agulha menor e dobra o tempo de execução. Fio grosso demais fecha um tecido rígido que não acompanha a dobra do peito do pé e abre bolha no dedinho na primeira semana.
Agulha de 4,5 milímetros nessa lã fecha uma malha mais apertada que a indicação comum do rótulo, e a escolha é deliberada. Pantufa recebe o peso do corpo inteiro em 25 centímetros de sola. Malha frouxa deixa o ponto abrir sob carga, o silicone descola junto com a alça esticada e a peça perde forma no primeiro mês.
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A conta desta pantufa tem cinco números e nenhum é palpite:
| Correntinhas do eixo | 30 | | Solas por pé | 2 | | Carreiras do cabedal | 18 | | Pingos por sola | 40 | | Agulha | 4,5 mm |
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A amostra antes da pantufa: trabalhe um quadrado de 14 pontos baixos por 16 carreiras, apoie na mesa sem esticar e meça. Dez por dez centímetros é a malha desta peça, e é o número que manda em todos os outros.
Cada ponto baixo fica com 0,7 centímetro de largura e cada carreira com 0,6 centímetro de altura quando a malha descansa. As 30 correntinhas do eixo abrem 21 centímetros, os aumentos das pontas fecham os 25 centímetros de comprimento da sola, e a largura final para na casa dos 9,5 centímetros na parte mais aberta.
A medida final: sola de 25 por 9,5 centímetros, cabedal de 18 carreiras e cano de 7 centímetros de altura no calcanhar. O par pronto pesa perto de 160 gramas, e a sola dupla mede 8 milímetros de espessura contra os 4 de uma sola simples.
O par fechado leva perto de 180 metros de lã média, o que dá quase dois novelos de 100 gramas. O novelo custa entre 18 e 32 reais no armarinho, e o tubo de silicone transparente sai por 12 e rende oito pares. Uma pantufa de crochê pronta sob encomenda custa 70 o par.
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II Carreira a Carreira
Da correntinha de 30 aos pingos curados
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Os pingos de silicone entram na sola virada pra cima, com a pantufa pronta e seca, e ficam 6 horas parados antes do primeiro passo. Aplicados na pressa, eles achatam sob o pé antes de curar e devolvem uma mancha lisa colada na lã, que escorrega mais que a sola crua.
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O início da sola: faça 30 correntinhas com a laçada firme e trabalhe 1 ponto baixo na segunda correntinha a partir da agulha, seguindo até a última. Na ponta, trabalhe 3 pontos baixos na mesma correntinha, contorne a peça e volte pelo outro lado. São 62 pontos baixos na carreira 1, com as duas pontas arredondadas.
As carreiras 2 e 3 da sola: trabalhe 1 ponto baixo em cada ponto e 2 pontos baixos em cada ponto das curvas, seis aumentos por carreira, sempre nas pontas e nunca nas laterais retas. Aumento na lateral entrega uma sola em formato de folha, larga no meio e estreita nas pontas, que não acompanha a planta do pé.
A conferência da sola: apoie a peça na mesa sem esticar e meça. Ela tem que dar 25 centímetros de comprimento por 9,5 de largura. Sola com 27 centímetros significa laçada frouxa e o erro se multiplica nas 18 carreiras do cabedal. Desfaça agora, com 20 minutos perdidos, e feche meio ponto na tensão da mão.
A segunda sola: repita a peça inteira com a mesma contagem e apoie as duas lado a lado. Elas têm que coincidir ponto a ponto no perímetro. Diferença de dois pontos numa das curvas aparece como bico torto depois da união e puxa a pantufa pra dentro quando o pé apoia peso.
A carreira dobrada: encoste as duas solas com o avesso pra dentro, alinhe as pontas e trabalhe 1 ponto baixo entrando ao mesmo tempo nas duas alças de cada peça, dando a volta completa. Puxe o fio com firmeza a cada ponto, sem estrangular, e feche com 1 ponto baixíssimo no primeiro ponto da volta.
O cabedal: trabalhe 18 carreiras em espiral sobre a sola dupla, 1 ponto baixo em cada ponto, sem correntinha de subida. Marque o primeiro ponto de cada carreira e mude o marcador de posição a cada volta. Na carreira 11, feche o bico com 8 diminuições distribuídas na frente, o que dá a curva do peito do pé.
O antiderrapante: vire a sola pra cima sobre o papel manteiga e aplique pingos de silicone de 5 milímetros, espaçados 2 centímetros entre si, cobrindo o calcanhar, a base dos dedos e a lateral externa. São perto de 40 pingos por pé, e o silicone tem que entrar na alça da lã, não escorrer por cima dela.
A cura: deixe as pantufas viradas com a sola pra cima por 6 horas em local arejado, sem sol direto e sem calor de secador. Silicone tocado antes da cura estica em fio, perde a forma de meia esfera e vira uma crosta plana que não agarra. Ao fim, cada pingo tem que ceder sob a unha e voltar sozinho ao formato.
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