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A gola boneca que nasce na nuca e sai simétrica
Gola boneca removível em linha nº 8 com agulha de 1,75 milímetro, nível intermediário, duas pontas redondas iguais.
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Linha nº 8, agulha de 1,75 mm, gola removível
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Passe a fita métrica em volta do decote da blusa que vai ganhar a gola, rente à costura, e anote o número. Depois dobre a fita ao meio sobre a mesa e marque a metade com um alfinete: esse ponto é a nuca, e toda conta desta peça começa nele.
A gola boneca (a gola de pontas redondas que deita sobre os ombros, famosa nas blusas infantis) parece simples, mas denuncia qualquer descuido na frente do espelho. Quando uma ponta sai mais larga que a outra, a diferença fica bem embaixo do queixo, onde o olhar de quem conversa com você cai primeiro. Dois ou três pontos de desvio bastam pra gola parecer torta.
O desvio quase nunca vem da mão. Vem da contagem. Quem distribui os aumentos (pontos extras que alargam a carreira) contando da ponta direita pra esquerda chega na outra ponta com uma sobra que não fecha na divisão. Essa sobra se acumula carreira após carreira, e a última ponta cresce sozinha.
A gola desta edição resolve a conta pela nuca. Um marcador fica preso no ponto central da primeira carreira, e cada aumento é contado dali pra fora, nas duas direções. A metade esquerda e a direita recebem os mesmos aumentos nas mesmas posições, e a sobra vai pras pontas por igual.
A peça fica pronta com 36 centímetros de decote, 5,5 de largura e perto de 15 gramas de linha nº 8 de algodão mercerizado, trabalhada com agulha de 1,75 milímetro. São cerca de 5 horas de agulha. Ela é removível: dois cordões de correntinha amarram a gola na frente, e ela sai da blusa na hora de lavar.
Nível intermediário aqui quer dizer três exigências juntas. Ler a própria amostra em linha fina, que engana o olho. Manter a contagem dos aumentos por 8 carreiras sem perder o marcador. E fazer as pontas arredondarem com pontos mais baixos na beira, sem fechar a curva com costura.
A ficha abre pela medida do decote, pela amostra de 10 centímetros e pela conta que acha o ponto central.
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I A Peça do Dia
Trinta e seis centímetros e um ponto no meio
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A ficha completa da peça.
A peça de hoje: gola boneca removível em linha nº 8 de algodão mercerizado branco, agulha de 1,75 milímetro, nível intermediário, 36 centímetros de decote por 5,5 de largura, perto de 15 gramas de linha e 5 horas de trabalho. A execução usa corrente de base, uma carreira de ponto baixo com o marcador central, sete carreiras de ponto alto com três rodadas de aumento, acabamento de picô (um biquinho de 3 correntinhas) na borda e dois cordões de amarrar.
Na mesa antes da primeira correntinha: 1 novelo de linha nº 8 de 85 gramas, que dá pra cinco golas, agulha de aço de 1,75 milímetro, agulha de tapeçaria fina pra esconder as pontas, fita métrica, tesoura pequena, 3 marcadores de ponto (argolinhas de plástico que se prendem na laçada pra marcar uma posição), alfinetes e um borrifador com água.
A ficha desta peça tem cinco números: | Agulha | 1,75 mm | | Linha | nº 8 | | Decote | 36 cm | | Largura | 5,5 cm | | Peso da peça | 15 g |
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A linha nº 8 de algodão mercerizado (algodão tratado pra ganhar brilho e resistência) entra porque segura a forma depois de lavada e não embola no atrito com o colarinho. A agulha de 1,75 milímetro fecha a trama o bastante pra gola deitar firme no ombro. Com agulha de 2,5, a mesma peça sai em 3 horas, mas fica mole, as pontas viram pra cima e a borda ondula.
A medida do decote: passe a fita em volta da costura do decote da blusa, deitada, sem esticar o tecido. Numa blusa adulta de tamanho médio a medida fica perto de 38 centímetros. Tire 2 centímetros: as pontas da gola não se encontram na frente, e o vão entre elas é onde os cordões amarram. Com 38 de decote, a gola sai com 36.
A amostra antes da gola: faça 32 correntinhas, trabalhe 14 carreiras de ponto alto e meça no centro do quadrado, com a amostra úmida e presa em alfinetes. Tem que dar 30 pontos por 14 carreiras em 10 centímetros. Se saírem 27, a mão está frouxa; desça pra agulha de 1,5 milímetro. Se saírem 33, o ponto está apertado; suba pra 2 milímetros.
A conta do centro: multiplique o decote da gola por 3, que são os 30 pontos da amostra divididos pelos 10 centímetros, e ajuste pro número ímpar mais próximo. Com 36 centímetros, a conta dá 108, e a carreira de base fica com 109 pontos. O número tem que ser ímpar porque só assim sobra um ponto sozinho no meio, com 54 de cada lado, e esse ponto vira a nuca.
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II Carreira a Carreira
Do marcador central às pontas redondas
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A gola sai em quatro etapas: a base com o marcador, as carreiras de aumento, a curva das pontas e o acabamento com os cordões. Os aumentos são a etapa que não aceita correção depois, porque cada rodada se apoia na contagem da rodada anterior, feita pelo ponto central. |
A corrente de base: faça 110 correntinhas soltas. A última serve só de altura pra virar o trabalho. Na carreira 1, trabalhe 1 ponto baixo em cada correntinha a partir da segunda, somando 109 pontos. Conte 54, e prenda o marcador no ponto 55: ele fica ali até o arremate.
A primeira rodada de aumento: na carreira 2, suba com 3 correntinhas, que valem 1 ponto alto, e trabalhe ponto alto em toda a carreira. Em cada metade, conte do marcador pra fora e faça 2 pontos altos no mesmo ponto a cada 6: no sexto, no décimo segundo e assim por diante, até o 54. São 9 aumentos de cada lado, e a carreira fecha com 127 pontos.
As carreiras de assentar: a carreira 3 é ponto alto reto, 127 pontos, um em cada ponto de baixo. Carreira reta entre duas de aumento deixa a gola deitar plana; aumento em toda carreira faz a borda franzir feito babado.
A segunda e a terceira rodada: na carreira 4, conte de novo do marcador pra fora e aumente a cada 7 pontos, 9 vezes de cada lado, somando 145. A carreira 5 é reta. Na carreira 6, aumente a cada 8, mais 9 de cada lado, e a gola chega a 163 pontos, 81 em cada metade. As carreiras 7 e 8 são retas.
A curva das pontas: nas carreiras 2 a 8, os 2 pontos de cada ponta saem mais baixos: 1 meio ponto alto (o ponto alto sem a última volta, com metade da altura) e 1 ponto baixo. A beira desce em degraus, e cada ponta desenha um quarto de círculo.
A borda e os cordões: vire e trabalhe a carreira 9 contornando a borda de fora: 3 pontos baixos, 1 picô, repetindo até a outra ponta, com 3 pontos baixos no mesmo ponto de cada curva. Arremate, prenda a linha de novo no começo da carreira 1, faça 60 correntinhas pro cordão e volte com ponto baixíssimo (o ponto que não ganha altura). Repita na outra ponta.
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