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A capa que deixa o filtro de barro respirar
Capa de crochê pro filtro de barro de duas velas em barbante nº 6 com agulha de 3,5 milímetros, nível intermediário, torneira livre.
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Barbante nº 6, agulha de 3,5 mm, filtro de duas velas
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Tire o pote de cima do filtro, enfie a mão no pote de baixo e gire a porca de plástico da torneira três voltas, até ela soltar. Com a torneira na pia, o filtro de duas velas vira um cilindro liso, e é nesse estado que a capa de crochê entra, de cima pra baixo, sem esgarçar ponto nenhum.
Quem veste a capa com a torneira no lugar força o barbante contra a rosca e abre a trama justo na altura em que a mão encosta todo dia. Em três semanas aquela faixa afrouxa, cai sobre o bico e pinga água no pano. A capa desta edição nasce com a passagem pronta: uma carreira de 7 correntinhas atravessa o lugar da torneira, e a rosca volta pela fresta depois que o tecido já está vestido.
O segundo cuidado é com o próprio barro. O filtro gela a água porque a parede é porosa: um pouco da umidade atravessa a argila, evapora na face externa e leva calor embora. Capa fechada em ponto baixo corta essa evaporação, e a água fica na temperatura da cozinha. Por esse motivo o corpo da peça sai em tela, o ponto alto espaçado por correntinhas, que cobre a argila e deixa o ar circular.
A capa tem 32 centímetros de altura e 72 de circunferência, feita em barbante nº 6 cru com agulha de 3,5 milímetros. São perto de 150 gramas de barbante e 4 horas de agulha. Ela para 3 centímetros abaixo da borda do pote de cima, então a tampa sai livre pra encher sem tirar nada do lugar.
Nível intermediário aqui pede três habilidades somadas. Trabalhar em círculo fechado sem torcer a corrente de base de 116 pontos. Manter os espaços da tela do mesmo tamanho por 24 carreiras. E abrir a casa da torneira na altura certa, porque ela só funciona se cair exatamente sobre o furo do pote.
A ficha abre pela medida da barriga do filtro, pela amostra de 10 centímetros e pela conta que transforma centímetro em correntinha.
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I A Peça do Dia
Setenta e dois centímetros fechados em anel
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A ficha completa da peça.
A peça de hoje: capa cilíndrica pra filtro de barro de duas velas, em barbante nº 6 cru com agulha de 3,5 milímetros, nível intermediário, 32 centímetros de altura por 72 de circunferência, perto de 150 gramas de barbante e 4 horas de trabalho. A execução usa corrente de base fechada em anel, duas carreiras de ponto baixo na bainha, tela no corpo, uma casa de correntinhas pra torneira e duas carreiras de ponto baixo com diminuições no topo.
Na mesa antes da primeira correntinha: 1 rolo de barbante nº 6 cru de 700 gramas, que sobra pra outras três capas, agulha de crochê de 3,5 milímetros com cabo emborrachado, agulha de tapeçaria de ponta cega pra esconder as pontas, fita métrica, tesoura, lápis e 2 marcadores de ponto (argolinhas de plástico que se prendem na laçada pra marcar uma posição).
A ficha desta peça tem cinco números: | Agulha | 3,5 mm | | Barbante | nº 6 | | Altura | 32 cm | | Circunferência | 72 cm | | Peso da peça | 150 g |
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O barbante nº 6 de algodão entra porque aguenta lavagem em água quente e não solta pelo em contato com a umidade que o barro devolve pela parede. A agulha de 3,5 milímetros aperta a tela o bastante pra capa não ceder com o peso de ficar esticada em volta da argila. Com agulha de 5 milímetros a mesma capa sai em 3 horas, mas os espaços ficam largos, o barbante escorrega pela barriga do filtro e a bainha desce até a pia.
A medida da barriga: passe a fita métrica em volta do ponto mais largo do pote de baixo, sem apertar. No filtro de duas velas comum a medida fica perto de 76 centímetros. Tire 4 centímetros dela: o algodão cede com o uso, e a capa feita um pouco menor fica justa sem forçar a costura. Com 76 de barriga, a capa sai com 72.
A amostra antes da capa: faça 20 correntinhas, trabalhe 10 carreiras de tela e meça no centro do quadrado com a fita deitada, sem esticar o pano. Tem que dar 16 pontos por 8 carreiras em 10 centímetros, contando cada ponto alto e cada correntinha como um ponto. Se saírem 14, sua mão está frouxa e a capa vai sobrar em volta do barro; desça pra agulha de 3 milímetros. Se saírem 18, o ponto está apertado e a capa não passa pela barriga; suba pra 4 milímetros.
A conta da corrente: multiplique a circunferência da capa por 1,6, que são os 16 pontos da amostra divididos pelos 10 centímetros, e arredonde pro número par mais próximo. Com 72 centímetros, a conta dá 115,2, e a corrente de base fica em 116. O número tem que ser par porque a tela anda de dois em dois pontos, e uma correntinha sobrando deixa um espaço torto na emenda de todas as carreiras.
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II Carreira a Carreira
Da bainha à casa da torneira
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A capa sai em quatro trechos: o anel de base, a bainha, a tela com a casa da torneira e o acabamento do topo. A casa é o trecho que não aceita correção depois, porque a posição dela depende da altura do furo no barro, medida antes da primeira carreira. |
A corrente de base: faça 116 correntinhas frouxas e deite a corrente reta na mesa com a face lisa pra cima, conferindo que nenhuma torceu. Feche em anel com 1 ponto baixíssimo (a laçada puxada direto pelo ponto e pela agulha, sem ganhar altura) na primeira correntinha. Corrente torcida fecha em espiral, e a capa vestida vira uma rosca em volta do barro.
A bainha: carreiras 1 e 2 em ponto baixo, 116 pontos em cada, fechando a volta com ponto baixíssimo no primeiro ponto. A bainha firme impede a borda de baixo de enrolar e segura a capa na base do filtro sem elástico. Prenda um marcador de ponto na emenda: ela vai ficar atrás, virada pra parede.
O corpo em tela: da carreira 3 em diante, suba com 4 correntinhas, que valem 1 ponto alto e 1 correntinha. Pule 1 ponto e repita a sequência de 1 ponto alto, 1 correntinha e 1 ponto pulado até completar a volta. Feche no terceiro ponto das 4 correntinhas. São 58 espaços por carreira, e nas carreiras seguintes o ponto alto entra sempre em cima do ponto alto de baixo.
A casa da torneira: meça a distância da base do filtro ao centro do furo; no filtro de duas velas comum dá perto de 7 centímetros. A bainha soma 1,2 centímetro e cada carreira de tela soma 1,25, então a casa cai na carreira 6. Nela, trabalhe até o espaço que fica na frente, oposto à emenda, faça 7 correntinhas e pule 3 espaços. Na carreira 7, trabalhe 3 pontos altos com correntinha dentro do arco (a alça que as 7 correntinhas formam), nunca ponto a ponto nas correntinhas, pra fresta ficar aberta embaixo do arco.
O topo: siga em tela até a carreira 26. A carreira 27 volta ao ponto baixo com diminuições (dois pontos fechados num só): 9 pontos baixos e 1 diminuição, dez vezes, e 6 pontos baixos no fim, ficando com 106 pontos. A carreira 28 é ponto baixo reto. Arremate e esconda a ponta por 5 pontos dentro da bainha de cima.
A vestida: com o pote de baixo sozinho e sem torneira, desça a capa com a emenda atrás, alinhe a casa com o furo e passe a torneira de fora pra dentro pela fresta. Reenrosque a porca por dentro. Dobre a parte de cima da capa pra baixo, encaixe o pote de cima e desdobre: a borda de 106 pontos abraça a argila 3 centímetros abaixo da boca, e a tampa fica solta.
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