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A bolsa de fio de malha que não cede na alça
Bolsa de fio de malha com base oval, nível iniciante, com os 6 aumentos por ponta e a alça em fio duplo que não estica com a compra.
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Bolsa de fio de malha ao lado da agulha de 6
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Uma alça de fio de malha sai da bancada com 60 centímetros e volta da primeira feira com 67. Ninguém mede na hora, mas todo mundo enxerga: a bolsa que batia na cintura passou a bater no quadril, e a boca abriu junto.
A culpa costuma cair no peso da compra. Quatro quilos num saco de crochê parecem exagero, e o fio de malha leva fama de fraco na primeira conversa de grupo.
O fio não é fraco. Ele é elástico, e elástico é outra coisa. Fio de malha é tira de tecido de camiseta cortada em espiral, com dois centímetros de largura, e malha de camiseta nasceu pra ceder.
Na parede da bolsa a elasticidade fica presa. Cada carreira segura a vizinha, a malha inteira reparte a carga e o corpo da peça mantém a forma mesmo cheio até a boca.
Na alça não existe vizinha. A tira sai solta da borda, atravessa o ombro e volta, e as duas ancoragens seguram o peso inteiro sozinhas.
Cada laçada da alça recebe a mesma força que a compra faz pra baixo. Fio de malha responde à força esticando, e a tira alonga enquanto o corpo da bolsa segue no lugar.
O conserto tem duas partes, e as duas moram na execução, nunca na etiqueta do novelo. A primeira está na base: 6 aumentos em cada ponta, sempre nas mesmas 12 colunas, é o que faz a lateral subir reta em vez de abrir em funil.
A segunda está na alça em fio duplo. Dois fios trabalhados juntos na mesma agulha repartem a carga pela metade, e a mesma compra de quatro quilos deixa de alongar a tira.
Nenhuma das duas exige ponto novo. A bolsa inteira roda em correntinha, ponto baixo e aumento, e fecha numa tarde de bancada.
A ficha abre pelo fio, pela agulha, pela amostra de dez centímetros e pelas medidas que a peça entrega quando os aumentos param na carreira certa.
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I A Peça do Dia
Base oval de 35 centímetros em fio de malha
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A ficha completa da peça.
A peça de hoje: bolsa de fio de malha com base oval, nível iniciante, 35 por 15 centímetros de base e 25 centímetros de altura. A execução usa correntinha, ponto baixo, aumento e uma alça trabalhada em fio duplo, sem mais nada.
Antes da primeira carreira: um novelo de fio de malha de 1 quilo, perto de 120 metros. Agulha de crochê de 6 milímetros. Marcador de ponto, agulha de tapeceiro, tesoura e uma fita métrica.
O tempo estimado é de quatro horas, uma tarde de bancada. O nível é iniciante do começo ao fim: a carreira 4 encerra os aumentos e as vinte e oito seguintes repetem ponto baixo.
O fio de malha é o corpo da peça. Ele nasce da sobra da indústria de camiseta, cortado em tira de dois centímetros e enrolado em novelo de 1 quilo, e é o fio que entrega bolsa firme sem forro.
Fio de malha fino, de um centímetro, pede agulha de 4 milímetros e fecha uma bolsa da metade do tamanho. Fio grosso, de três centímetros, pede agulha de 8 e come 1,2 quilo na mesma receita.
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Os 6 aumentos por ponta são a regra da base oval: sempre 6, sempre nas mesmas colunas, em toda carreira de aumento. Com 5 a base fecha em barco e a bolsa tomba de lado, com 8 ela abre em prato e a lateral nunca sobe reta.
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A amostra de dez centímetros: monte 14 correntinhas, trabalhe 12 carreiras de ponto baixo e meça o quadrado no meio, apoiado na mesa, sem esticar. Dez pontos e onze carreiras em 10 centímetros é a malha desta bolsa.
Na bolsa a amostra vira medida direta. Cada ponto ocupa 1 centímetro de contorno e cada carreira sobe 0,9 centímetro de parede.
A boca fechada tem 88 pontos, o que dá 88 centímetros de volta completa. As vinte e oito carreiras de parede entregam os 25 centímetros de altura da peça.
O teste da mesa: apoie a base terminada numa superfície plana antes de subir a parede. Base certa fica deitada e imóvel. Borda que ondula quer dizer aumento a mais, e ponta que levanta do tampo quer dizer aumento a menos.
A medida final: base de 35 por 15 centímetros, parede de 25, alça de 60 centímetros por 3,5 de largura e queda de 26 centímetros no ombro.
A bolsa fechada leva perto de 800 gramas de fio, quase 95 metros. Sobram 200 gramas no novelo, o suficiente pra um jogo de alças de reposição.
O novelo de 1 quilo custa entre 35 e 50 reais no armarinho. O fio de cada bolsa fica perto de 32 reais, e é o custo que abre catálogo de feira.
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II Carreira a Carreira
A carreira em que os aumentos param
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A base roda em espiral, sem ponto baixíssimo no fim da volta. O marcador entra no primeiro ponto de cada carreira, e é ele que mantém as 12 colunas de aumento empilhadas uma sobre a outra.
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Carreira 1: monte 22 correntinhas. A partir da segunda correntinha da agulha, faça 20 pontos baixos ao longo da corrente. Na última, faça 6 pontos baixos, contornando a ponta.
Siga pelo outro lado da mesma corrente com 20 pontos baixos e feche a volta com 6 pontos baixos na correntinha inicial. São 52 pontos, e o marcador entra no primeiro deles.
Carreira 2: 20 pontos baixos retos na lateral, 1 aumento em cada um dos 6 pontos da ponta, 20 pontos baixos retos na outra lateral e 6 aumentos na segunda ponta. São 64 pontos.
Carreira 3: 20 retos, e na ponta 1 ponto baixo simples e 1 aumento, seis vezes. Repita a sequência na outra metade da volta. São 76 pontos.
Carreira 4: 20 retos, e na ponta 2 pontos baixos simples e 1 aumento, seis vezes. Repita na outra metade. São 88 pontos, e é aqui que os aumentos param.
Carreira 5: 88 pontos baixos pegando só a alça de trás de cada ponto. A contagem não muda, a carreira só vinca a quina: a parede sobe a 90 graus e a base para de aparecer de lado.
Carreiras 6 a 32: 88 pontos baixos retos por volta, vinte e sete voltas sem aumento nem diminuição. É o corpo da bolsa, e é onde a mão pega ritmo e afrouxa sem perceber.
Carreira 33: uma volta de ponto baixíssimo em cada ponto, só pra firmar a boca. Corte o fio deixando 15 centímetros e esconda a ponta por dentro da parede com a agulha de tapeceiro.
As alças: puxe uma ponta do fio de dentro do novelo e outra de fora, e trabalhe as duas juntas na mesma agulha de 6 milímetros. Monte 55 correntinhas e faça 3 carreiras de ponto baixo, ida e volta, com 54 pontos por carreira.
A tira fechada tem 60 centímetros de comprimento por 3,5 de largura. São duas iguais, e o fio duplo cobra 90 gramas a mais que a versão simples.
A costura: marque o centro de cada lateral e conte 10 pontos pra cada lado. As quatro pontas de alça entram nesses pontos, com 20 pontos de distância entre as duas de uma mesma face.
Não prenda a alça só na borda. Desça 8 centímetros pela parede com a ponta da tira encostada por dentro e costure em 6 pontos, do alto pra baixo, com o fio duplo na agulha de tapeceiro.
O último ponto da costura leva um nó duplo por dentro da parede. A ponta que sobra atravessa duas carreiras, sai do lado avesso e o corte fica rente à malha.
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